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COTAS POLÍTICAS PARA POVOS INDÍGENAS NAS ELEIÇÕES PARA O CONGRESSO NACIONAL OU ELEIÇÕES MUNICIPAIS
Existe
algum objetivo pela qual o povo brasileiro deva votar
num candidato indígena, nas próximas e nas outras
futuras eleições?
NÃO!
Não existe nenhum objetivo, nenhuma vontade política,
nenhum interesse particular, nada existe que
identifiquem as reivindicações EXTREMAMENTE ESPECÍFICAS*
dos povos indígenas com o contexto do também
sofrido povo brasileiro.
Se
não vejamos:
Em
último caso o que faria o povo brasileiro a votar num
candidato indígena?
·
Seu
sentimento saudosista numa visão extremamente
romantizada.
·
Seu
sentimento de orgulho por ter tido uma bisavó “caçada
a laço”, fato que poderia, no mínimo, sensibilizá-lo,
mas não tanto.
·
Seu
sentimento bem intencionado de um pesar
à pessoa indígena como se fora um
“coitadinho”.
·
Seu
humor político como resposta à falta de ética da política
partidária brasileira.
·
Sua
resposta política a um elemento possivelmente folclórico
e exótico
surgido no bojo político intencional de um partido e
esse indígena ser destruído e esquecido até que morra
de tristeza, depressão e enfermidade física, ainda no
princípio do entardecer de sua preciosa vida..., como
exemplo clássico para a história social.
·
Num
apelo oportunista ou folclórico em defesa da Amazônia
Brasileira contra o imperialismo. Blá, blá, blá...
·
Enfim
que os leitores complementem essa lista....
Mas
mesmo assim, com todo o apoio do indigenismo, o
candidato indígena não conseguiria o nº
estabelecido de votos para tornar-se um deputado
federal, estadual e com muito esforço, conseguiria um
pequeno avanço nas eleições municipais e para
prefeito, como já temos alguns raros casos, porém
ainda de mãos atadas, pelas políticas locais.
Enfim,
o povo brasileiro não vota em candidato indígena,
salvo alguma exceção.
E
diante das graves violações dos direitos humanos dos
povos indígenas, diante das necessidades extremamente
emergenciais, diante das especificidades indígenas nas
áreas de saúde, educação, desenvolvimento,
terra/trabalho/cultura, etc... URGE A IMPLANTAÇÃO DE
UMA CADEIRA INDÍGENA NO CONGRESSO NACIONAL,
independente do voto popular, estabelecendo assim uma
cota política para Povos Indígenas neste setor. Que se
mude a lei!!!!
Ações
afirmativas superficiais só escamoteiam a verdadeira
VIOLAÇÃO DOS DIREITOS INDÍGENAS e prorrogam o
sofrimento de nosso povo índio, representado pelas
Primeiras Nações do planeta. Debates, discussões
devem ter prosseguimento e não colocadas nas gavetas
governamentais. As demarcações das terras indígenas
devem ter prioridade num plano de governo. Cotas políticas
em todas as áreas devem ser introduzidas. As cotas
conseguidas até hoje, estão aquém, são esmolas! O
novo plano de governo deve apoiar, incondicionalmente, a
revolução do Estatuto do Índio, dentro da VONTADE
e necessidades dos povos indígenas,
fundamentalmente, tendo sua própria autoria e participação.
O
deputado indígena deve ser indicado pelo movimento indígena
e suas comunidades de base devendo ter
todo o apoio financeiro governamental para esse
importante empreendimento na História da Política
Partidária Brasileira. Mas para isso urge uma vontade e
sensibilidades políticas no plano de governo.
E
quanto à FUNAI,
esse órgão deve se presidido, enfim, por
um(a) indígena que conheça os corredores de sua
infra-estrutura, que conheça sua história, que não
tenha interesses pessoais, que tenha ética, que seja
formado(a) academicamente, que tenha formação jurídica
de direitos indígenas nacionais e internacionais, que
seja militante/ativista do movimento indígena e social,
que conheça as máquinas governamental e não
governamental e que tenha alto conhecimento sobre questões
de gênero, etnia e raça e que tenha VOZ INDÍGENA.
Finalmente,
concluímos, que para fazer avançar os Direitos Humanos
dos Povos Indígenas Brasileiros, uma cadeira no
Congresso Nacional suportada por competentíssimos
assessores indígenas e não indígenas, deve ser
implantada já. Já sofremos demais!!!!!! Basta!!!!!
Que
os advogados abracem
essa proposta, mudando,
estruturando,
revolucionando
a
lei maior
na sua
base. A PRIORIDADE É O DIREITO INDÍGENA EM JOGO E A
SOBREVIVÊNCIA DE UM POVO, SECULARMENTE INJUSTIÇADO.
*consulte
movimento indígena.
Texto
de Eliane Potiguara
CONGRESSO PARLAMENTAR INDÍGENA
Onda
de cocares no poder?
A
onda também pode ser de cocares?
Nas
eleições 2002 tivemos 20 candidatos indígenas, apenas
uma mulher. Nenhum foi eleito. Isso comprova o que
sempre digo: o povo brasileiro não vota em candidato
indígena. Por esse motivo, é fundamental que o novo
presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva,
possibilite
a constituição
crie
um Congresso
Parlamentar Indígena –
com representação de todas as etnias e a participação
das mulheres indígenas.
A
criação de um Congresso Parlamentar Indígena é uma
idéia antiga, defendida por lideranças como Marcos
Terena, Ailton Krenak, o falecido cacique Juruna, entre
outros.
As comunidades, os povos indígenas
elegeriam representantes de seus povos para que fossem
representá-los em Brasília, num espaço parlamentar
especial, destacado. Trata-se de uma alternativa para
atender às demandas específicas dos povos indígenas.
Esse
congresso étnico seria composto por representantes indígenas
preparados, com estudo, conhecimento político e do
direito indígena nacional e internacional. O primeiro
passo seria rever o Estatuto do Índio. O documento
precisa ser alterado com a ajuda participação
dos próprios indígenas, em parceria com ONGs, Igreja e
estudiosos.
Acredito
que, com a eleição de Lula, a criação do Congresso
Parlamentar Indígena tenha mais chances de se tornar
uma realidade. Assim como o novo presidente quer fazer
um governo popular dos trabalhadores, o Congresso
Nacional deveria favorecer a participação das
comunidades dos
povos indígenas para que, além das vozes dos
trabalhadores e camponeses, as vozes dos indígenas
pudessem vir à
tona. Assim como Lula propõe o diálogo dos
trabalhadores com os empresários, os indígenas também
estão abertos à troca com quem têm seus interesses
econômicos.
Seria
importante que o Congresso Parlamentar Indígena não só
fosse aceito, como se transformasse em lei. A Assembléia
Constituinte de 1991, na Colômbia, rompeu com muitos
paradigmas sobre a participação política. Uma das vitórias
foi a possibilidade da presença indígena na representação
parlamentar. Isso abriu espaços também para as
mulheres, como o acontecido no Equador, que elegeu a
primeira Congressista Indígena, Nina Pacari.
Mulher
desapoderada
No
caso, o Congresso Parlamentar Indígena está surgindo
como uma opção, não a única, de inserção de
representantes dos povos indígenas no poder. E se essa
inserção é complicada para os homens indígenas,
imagine para as mulheres. O fato de apenas uma indígena
ter se candidatado nas eleições brasileiras de 2002
pode ser explicado pelas mulheres terem sido alvo da
perseguição masculina desde o início do processo de
colonização. Eram arrancadas do seu povo para servirem
de concubinas e escravas aos estrangeiros.
Mães
e pais indígenas, sabedores dessa realidade, proibiram
que suas filhas fossem atiradas a esse estigma.
Pensavam: “será melhor que se fortaleçam antes de
irem às escolas para adquirirem mais consciência”.
Por isso, o índice de professores indígenas (65%) é
bem maior que o das
professoras.
Existem
também mulheres indígenas em situação de pobreza,
discriminadas, excluídas, invisíveis. São mão-de-obra
escrava em plantios de cana-de-açúcar, algodão e
outros, despreparadas para qualquer função política.
Uma
saída para esse quadro é o reconhecimento de que
dentro e fora das aldeias é necessário e urgente o
trabalho de conscientização e capacitação de
mulheres. Um programa imediato de direitos reprodutivos
e saúde integral, educação e desenvolvimento agrário
deve ser implantado pelo governo, com a colaboração de
ONGs, para que os povos indígenas possam ter dignidade.
Reação
feminina
Quero
lembrar que a palavra da mulher já foi uma força, uma
decisão política. O capital, a exploração, o egoísmo,
a discriminação cultural e filosófica, o poder e a
colonização limitaram essa força. Mas nem tudo está
perdido.
Nos
últimos dois séculos podemos ver pipocar o grito
estrangulado de algumas mulheres indígenas. Grito
estrangulado, mas determinado, resultando nas organizações
de base dessas mulheres. E elas vêm se transformado em
educadoras, agentes transformadoras da sociedade em que
vivem.
Temos,
por exemplo, a enfermeira Iracy Cassiano (popularmente
chamada de Nancy), índia Potiguara eleita primeira
prefeita do Brasil. Isso foi uma vitória no início da
década de 1990. Mas os obstáculos históricos, políticos
e culturais foram muitos, da mesma forma que a organização
de mulheres indígenas (Grumin), que se formou com o seu
valioso apoio, também os enfrentou.
Outro
exemplo de resistência é a Associação de Mulheres
Indígenas de Manaus, criada para aglutinar imigrantes
de suas terras originais que só tinham como opção
trabalhar como empregadas domésticas nas casas dos
coronéis, cair nos prostíbulos ou servir ao tráfico
internacional.
As
indígenas de Roraima também têm se organizado. Joênia
Wapixana formou-se em Direito. Outras têm buscado esse
caminho, pois acreditam que só lutando dentro dos
aspectos jurídicos poderão ver os direitos indígenas
assegurados. Por isso é
importante a criação e o fortalecimento de organizações
de mulheres indígenas, mesmo que sejam criadas dentro dê
suas próprias casas.
Texto
de Eliane Potiguara
DESAFIOS SOBRE GÊNERO NA QUESTÃO INDÍGENA
Os
homens e mulheres indígenas devem encontrar juntos,
caminhos concretos que viabilizem atitudes responsáveis
com relação aos seus direitos humanos e
fundamentalmente à Saúde Reprodutiva e desenvolvam uma
relação de gênero mais consciente, mais democrática
baseada no conceito sobre sexualidade, conceitos que
foram perdidos ao longo da colonização e néo-colonização.
Nesse processo, novos conceitos dominantes e opressores
foram impostos à relação de gênero que necessitam
ser mudados.Homens e mulheres devem desafiar as relações
desiguais de poder não só no campo da ação, como
organizativo e institucional, objetivando a justiça
social de gênero. O fortalecimento do poder das
mulheres indígenas deve ser promovido dentro das
organizações indígenas para que todos, principalmente
os homens possam ter mais clareza sobre suas atitudes,
comportamentos e empenhos.
A
participação política das mulheres indígenas
está muito aquém ainda, justamente por razões
culturais. Sabemos que na colonização portuguesa os
homens, para defenderam suas mulheres e crianças, as
colocavam na retaguarda comunal e lá esse segmento
ficou até hoje. é preciso resgatar a funcionalidade
inicial das mulheres indígenas adotada antes do
processo colonial. Ela tinha a decisão sobre problemas
políticos, decisão sobre as assembléias, era venerada
e tinha a última palavra. Quando
os homens não suportaram mais ver suas mulheres
escravizadas decidiam o suicídio em massa de um povo
contra essa escravidão
e colonização.
Era um ato de protesto e todos eram atirados para baixo
de um penhasco!!!! A solidão e o sofrimento das
mulheres indígenas começaram com a migração por ação
violenta aos seus povos. Juçara, esposa de Sepé
Tiaraju, em 1756 ao
ter seu marido assassinado pelos estrangeiros, iniciou
sua caminhada sozinha, assim muitas mulheres indígenas,
como a esposa de Galdino, de Marçal Tupã-y, a esposa
de Hibes Menino, a esposa de Ângelo Kretã e muitas
outras esposas anônimas, guerreiras como nossas avós e
mães potiguaras
que vem construindo e dando continuidade à cultura indígena,
seja nas aldeias ou empurradas, violentadas para o lixo
da sociedade envolvente, porque elas pobres,
analfabetas, indígenas, nortistas ou nordestinas só
encontrariam espaço de sobrevivência nesse lixo e na
miséria. Vitória daquelas que conseguiram criar seus
filhos e fazê-los dignos.
As
mulheres foram alvo de perseguição masculina no
processo de colonização. Elas eram arrancadas do
seio de seu povo para servirem de concubina
e escravas aos estrangeiros. Um desesperado líder
indígena Kaiapó do Pará, atualmente contou que sua
jovem esposa, havia partido com um homem branco,
abandonando a família . Ela- anestesiada em sua consciência
por ação neocolonizadora, queria os coloridos das
cidades, os bens de consumo alheios à cultura indígena.
Ela tem culpa? Não.
A
responsabilidade é da política integracionista que
paternalizou os povos indígenas até hoje. Mas quando
nosso movimento pela conscientização do papel inicial
da mulher indígena começou a causar polêmicas
a partir de 1996, houve resistência de todos os lados.
E, como mulheres,
por querer saber o que aconteceu com os nossos avós
que trabalharam para as falidas empresas que
escravizaram a população indígena e deixaram centenas
e centenas de mulheres grávidas, obrigadas a fugir de
suas terras de sua família tradicional, é que sofremos
muitas perseguições. Afinal o nosso silêncio ou nossa
voz têm sexo! Os pais indígenas sabedores desta
realidade gostariam de lançar suas jovens filhas para
esses abutres?
Por
outro lado, lamentavelmente, os homens indígenas por
pressão histórica, continuaram mantendo suas mulheres
na retaguarda e conseqüentemente eles, em contato com
os colonizadores, acabaram adquirindo os seus maus hábitos
e vícios, entre eles o de subjugar e desrespeitar a
mulher, não esquecendo nós, que os piores caracteres,
moralmente situando, foram os enviados para a Terra
Santa, no início da colonização portuguesa.
Os
direitos humanos das mulheres indígenas foram descritos
em várias Conferências Nacionais e Internacionais,
onde conseguimos espaços políticos
para dar um grito de basta ao sofrimento secular
de nosso povo, onde o racismo e a
falta de apoio
ao cidadão e cidadã indígenas são os motivos
mais agravantes. As campanhas de solidariedade devem ser
um veículo de luta para a efetiva conscientização
da sociedade como um todo de que os povos indígenas são
os primeiros habitantes deste país, as primeiras nações
e como tal, devem ser respeitadas , veneradas,
preservadas como patrimônio humano do planeta terra, ao
invés de sermos racializadas , discriminadas,
empobrecidas, excluídas social, histórico e
racialmente. Que possamos ver um Estatuto do índio
realmente voltado na prática para os direitos humanos
dos Povos Indígenas, tanto na área de desenvolvimento,
trabalho, saúde, educação, preservando o patrimônio
cultural, o direito à propriedade intelectual, a
biodiversidade indígena, a espiritualidade.
As
mulheres indígenas, aos olhos da sociedade, estão
abaixo do último degrau que compõe as camadas da
sociedade. Indígenas, pobres, discriminadas, excluídas,
INVISÍVEIS,
Mão
–de- obra escrava em plantios de cana-de-açúcar,
algodão e outros. Se estão próximas a mineradoras, são
objeto sexual de garimpeiros ou mineradores, como muitas
histórias que já ouvimos dos YANOMAMIS, em Roraima. Se
estão nas cidades, empurradas por alguma razão social
e política de sua nação, tornam-se, prostitutas nas
grandes cidades, objetos de tráfego internacional de
mulheres ou empregadas domésticas ou operárias mal
remuneradas. Urge um trabalho de conscientização
dentro das aldeias contra a violência doméstica,
sexual , o estupro, o assédio ,
o alcoolismo que resulta nas violências
interpessoais, nas intrigas, nos distúrbios psicológicos,
nos suicídios. Um programa imediato referente aos
direitos reprodutivos e saúde integral devem ser
implantados na prática, pelo governo e pelas ONGS. Urge
um trabalho de conscientização nessas nações que
mais sofreram os
resultados maléficos da neocolonização, como povos
Ressurgidos e junto aos Quilombolas. Essas nações têm
consciência de sua identidade indígena o que
é uma vitória, mas precisam
de apoio em todos os sentidos. E isso é de
responsabilidade governamental, tendo o apoio das Ongs e
parcerizadas com apoio tecnológico, oriundo de
entidades nacionais e internacionais.Outro estudo
importante é sobre povos indígenas emigrados e suas
conseqüências.
As
organizações indígenas devem finalmente, desenvolver
programas de formação de gênero, interagindo a
cultura indígena com a diversidade, identidade,
questão do poder e a transformação,
criando assim seus objetivos e metodologias próprias.
Que possam
promover a justiça social de gênero e conseqüentemente
fortalecer o papel da mulher indígena em todos os
segmentos.
Texto
de Eliane Potiguara
A FORÇA DO CONHECIMENTO ANCESTRAL
Relação
de gênero na espiritualidade indígena e
o combate à violência
Por
quê agüentamos tanta violência? Nós, mulheres dos
segmentos dos povos indígenas e afrodescendentes ainda
agüentamos tanta violência porque não reforçamos a
nossa mulher interna, a mulher selvagem que existe
dentro de nós, a mulher primitiva, no sentido
“primeiro”. Uma mulher deve andar com a força a sua
frente, a profunda natureza intuitiva dessa mulher deve
prevalecer na dualidade obrigatória de toda a mente
feminina. E QUEM DÁ ESSA FORÇA? Receber a herança
ancestral de nossa família ou de uma cultura é uma
missão a cumprir, isso é praticamente obrigatório
dentro da anima. Mas levar adiante essa herança
é SABEDORIA. Quais as rasteiras que devemos dar no
neocolonizador, no opressor político-cultural para
despertarmos a força interior e transformá-la em
sabedoria e arma para o crescimento da humanidade e
melhor qualidade de vida? Como purificar a persona
que existe em nós, com tantos vícios impostos pelo
sistema político e econômico que nos racializa, nos
oprime, nos mata e torna nossa auto-estima deplorável e
faz com que aceitemos pacíficas, durante séculos, a
violência, seja física, psicológica, sexual, mental e
até espiritual!!!! Franz Fanon mostra em seu livro
“Condenados da Terra” os resultados psicológicos
maléficos da opressão política e racial ao povo
argelino e há mais de 20 anos temos lido esse texto, tão
atual ainda nos dias de hoje!!!!
A
chama do conhecimento ancestral seja indígena ou
oriunda de outras raízes deve ser despertada
imediatamente na anima de todas as mulheres e
dos homens também, para que possa despertar o feminino
dentro deles e a parceria homem/mulher seja comungada
dentro dos princípios dos direitos humanos mais
transcendentais. Quando despertamos essa força começamos
a reconhecer a sombra negativa da nossa psique, os
aspectos negativos de nosso comportamento, o nosso
inimigo interno e neste processo começamos a reagir
contra a opressão, o racismo e a destruição causados
a nossa persona, que vai se somando a milhares
e milhares de mentes do planeta Terra nestas partes do
mundo que se permitem chamar “Terceiro Mundo”,
obscuro, oprimido social, racial, econômica e
politicamente.
Os
aspectos da cultura de alguns povos, como o sacrifício
ou a mutilação de partes do sexo feminino numa cultura
oriental é uma distorção cultural causada pela ação
dos imperialistas. E, em outro contexto, a identidade
masculina para defender suas mulheres indígenas, por
exemplo, fazendo com que as mulheres tivessem dor no ato
sexual, vinculando assim o prazer à dor. Assim, as
mulheres indígenas não aceitariam a submissão ou
ofertas de qualquer homem branco que chegasse. Ao longo
da história, o homem teve que mudar seu comportamento
para com a mulher indígena, numa tentativa desesperada
e inconsciente que pudesse preservar a família. No período
da colonização portuguesa e espanhola, no Brasil, os
homens indígenas levavam toda sua família a se jogar
do alto dos penhascos, constituindo o suicídio coletivo
contra a escravidão e a destruição cultural. Nos
tempos modernos, o suicídio, a submissão, o
alcoolismo, a desesperança, têm sido sintomas desta
opressão.
O
empobrecimento econômico de nossas vidas, o racismo, a
intolerância, o desequilíbrio da nossa biodiversidade
causam timidez, conformismo, baixa auto-estima,
sentimento de culpa, infelicidade, angústia interior,
insatisfação constante e concessão ao dominador, sim,
concessão ao dominador. Esse processo desestabiliza o
contexto cultural, espiritual, enfim, a cosmovisão de
cada um de nós, negros e indígenas ou segmentos
oprimidos.
Por
que agüentamos tanta violência subliminar? A intuição
é a mensageira da alma, a intuição é a força do
conhecimento tradicional, ancestral. A tocha da
ancestralidade, inclusive genética, deve ser
trabalhada dentro de cada um de nós, pois ela é riquíssima
em conhecimentos, sejamos indígenas, negros, amarelos
ou brancos. O nosso cérebro, fisicamente, guarda espaços
e tradições jamais alcançados, é preciso
lembrar/despertar da escuridão mental e espiritual e
deixar fluir o inconsciente coletivo para que ele flutue
nos mares da consciência, essa que dá a tônica da
vida. É preciso uma força extraordinária para
resgatar os conceitos e princípios da ancestralidade
que cada um tem dentro de si. É ética. É princípio.
É busca inclusive da paz que vai se somar à construção
da corrente do amor e da ética. Mas, só a conscientização
de quem somos nós, como povos indígenas, ou oriundo de
outras raízes é que vamos perceber, desvelando a
riqueza, a preciosidade que existe adormecida na vastidão
das mentes, dos corações e dos espíritos. O homem –
o homem masculino - que também tenha buscado esse homem
selvagem, esse homem “primeiro”, ancestral dentro de
si, é o verdadeiro homem que vai conquistar o coração
de uma mulher, pois ele vai compreender e reconhecer
profundamente a dualidade feminina, a guerreira e a mãe
doce e pacífica que existem dentro de todas as
mulheres. E a guerreira, a ancestral, a mãe selvagem, a
filha, todas reunidas numa só, não vão mais permitir
a sombra negativa que ronda o planeta Terra, a submissão,
porta aberta para a violência, porque ela, a mulher,
purificando sua persona, vai multiplicar muitas
outras personas, começando pelo seu próprio
filho homem, futuro cidadão, futura cidadania mundial,
para construção da cultura da verdadeira paz e da
igualdade social. E a relação de gênero neste estágio
será bem melhor do que a do tempo contemporâneo, que
nos faz sucumbir à dor, que nos leva ao desamor a nós
mesmos e ao próximo. Nesse processo de reconstrução
do ser humano vamos lapidando o grande diamante que é a
consciência humana.
Homens
e mulheres fortalecidos, que reconheceram mutuamente o
processo de reconstrução da mente e espírito, podem
apoiar a criatura interna, o verdadeiro anima,
o profundo anseio da alma fortalecida pela
ancestralidade que existe dentro de todos nós, a
verdadeira ancestralidade do ser “primeiro” - a força
interior - esses, sim, estarão construindo a grande força
mental e espiritual, a grande FRENTE para a conquista
dos Direitos Humanos neste planeta. E homens e mulheres
estarão fortes para nunca mais permitirem a opressão,
a baixa auto-estima, o conformismo, o racismo, a
desvalorização de si mesmo e da verdadeira persona.
E estaremos fortes e conscientes para lutar e exigir os
nossos direitos civis. Por isso é importante ouvir os sábios
e sábias indígenas e afrodescendentes e culturas
afins. Mas o sistema político e social arrasta os
velhos e as velhas para o corredor da morte lenta,
desvalorizando-os, esquecendo-os. Os caminhos e as
respostas para um novo mundo estão na aquisição e
reconhecimento dos conhecimentos tradicionais das
PRIMEIRAS NAÇÕES deste grande e luminoso asteróide
azul contra o inimigo interno e externo.
É
necessário fazermos uma reavaliação das histórias de
vida de nossos velhos profetas, homens e mulheres, sejam
eles de qualquer etnia, nação, religião, corrente
espiritual dando uma NOVA INTERPRETAÇÃO às suas
palavras. Não interpretações segundo crenças
viciadas, costumes velhos, velhos modelos, velhos
preconceitos, mas novos recomeços e profundas percepções
das filosofias deles, para chegarmos aos verdadeiros
caminhos para a construção dessa paz e ética.
Mas
dentro da cultura indígena, como ocorre o processo de
fortalecimento interior e a preservação da identidade
cultural para a construção da paz e das relações
humanas?
Texto
de Eliane Potiguara
PAJELANÇA: A MAIOR EXPRESSÃO NATA DE DEFESA DOS DIREITOS E DA PROPRIEDADE INTELECTUAL INDÍGENAS
“Ser
líder espiritual, em qualquer lugar, em quaisquer
culturas e tradições significa estar conectado
primeiro com o eu interior, a mulher/o homem selvagem
dentro de si mesmo, como já dissemos, enfim sua intuição
e todos os desdobramentos dela faz-nos remeter às
nossas culturas e espiritualidades tradicionais, dentro
da nossa casa espiritual e mental. Realmente é poder
fazer com que seu cérebro e seu espírito relembrem os
ensinamentos da ancestralidade, como no caso indígena,
por exemplo, em que a herança espiritual é passada de
pai/mãe para filho/filha. Nenhum pajé indígena faz
curso pra ser pajé. O pajé -”ELE É” - e ponto
final e NINGUÉM TIRA. O ser xamã não tem designação
espacial. Ele pode ser do mar, da terra, da cidade, do
campo, das montanhas. É evidente que os lugares mais
tranqüilos, como a mata, por exemplo, são favoráveis
à meditação e à expansão da alma. Quem é líder
espiritual o é em qualquer circunstância. No caso indígena,
pode haver vários filhos numa família, mas um ou dois
somente terem mais qualificação para a
espiritualidade. No entanto, todos os filhos terão a
mesma educação, mas “aquele” se destacará por sua
natureza iluminada, um grande reverente da cultura da
paz e da ética. É intrínseco nele, já traz as
lembranças adormecidas mais favoráveis ao despertar
interior. Os outros irmãos precisam do exercício para
recordar a herança espiritual. As práticas
espirituais, as pajelanças de seus avós, pais ou tios
na sua educação diária desde a tenra infância, vão
funcionando como um elemento motivador, iluminador de
sua trajetória espiritual. E seu fortalecimento só será
complementado quando ele EXPANDIR a sua energia vital e
espiritual - a sua consciência e inconsciência -
direcionadas para sua comunidade, exercendo a cura em
todos os sentidos. E os seus irmãos ou comunidade, aí
sim, podem fortalecer a sua espiritualidade.
O
eixo celular do significado espiritual dentro da casa física
do pajé é o DAR-SE ao próximo. Sem o “dar-se” não
há energia e tão pouco a cura, nem o Poder de realizar
as cerimônias e o Poder do PRESSENTIR. E o pressentir
é remetido para o doar-se. Como vê, é um ciclo...
como é um ciclo a morte e a vida.... A vida e a
morte... A morte e a vida... E o caminho espiritual do
pajé é solitário, assim como o ato de nascer ou de
morrer, ou o ato da criação da arte. É UM ATO SÓ
NOSSO. O pajé, mesmo sem conhecimento científico
urbano do que sejam direitos humanos, é um dos maiores
defensores natos, na teoria e na prática, desses
direitos, além de ser um curador. Ele é o verdadeiro
conhecedor dos conhecimentos tradicionais e de sua
biodiversidade: PATRIMÔNIO CULTURAL DE POVO,
PROPRIEDADE INTELECTUAL DE SEU POVO.
Texto
de Eliane Potiguara
MIGRAÇÃO E RACISMO
Imposições
Culturais aos Povos Indígenas e
suas Consequências
O
processo de colonização e neocolonização dos povos
Indígenas do Brasil levou-os ao trabalho semi-escravo,
num regime de exploração causado pela intromissão de
milhares de segmentos, tais como madeireiros,
garimpeiros, latifundiários, mineradoras,
caminhoneiros, empresários das hidroelétricas,
rodovias, pistas de pouso etc...
Tal
intromissão, conivente com políticas locais, com a
falta de vontade política e com a omissão
governamental, causou nas últimas décadas o
desmatamento, o assoreamento dos rios, a poluição
ambiental e a diminuição da biodiversidade local,
entre outros estragos. As invasões trouxeram as
enfermidades, a fome, o empobrecimento compulsório da
população indígena. E, mais, as dificuldades locais
levaram muitas pessoas à migração, a submeterem-se ao
trabalho semi-escravo, às péssimas condições de
moradias (favelas, casas de palafitas na periferia dos
centros urbanos).
As
invasões trouxeram também distúrbios mentais, como a
loucura, o alcoolismo, o suicídio, a violência
interpessoal, tudo isso afetando consideravelmente a
auto-estima dos seres humanos indígenas. Podemos
perceber claramente que todos esses sintomas são
causados pelo racismo subliminar do poderio do Estado e
reações discriminatórias subliminares, “sem a menor
intenção…”, da sociedade brasileira, oriunda da
miscigenação entre brancos e negros, entre índios e
brancos ou entre negros e índios. O desejo de ascensão
da população miscigenada e/ou branca é construído
com base no racismo implícito e no processo de escravidão,
semi-escravidão, exploração da mão-de-obra barata
dos segmentos da sociedade mais oprimidos, como os miseráveis
pobres e negros e a população indígena.
A
colonização e a neocolonização, no entanto, são
refletidas também por grupos de interesses religiosos
que ao longo da História do Brasil vêm confundindo a
cosmologia indígena com ideologias e fundamentos
alheios à realidade tradicional. Impor culturas
dominantes é uma forma de racismo. O paternalismo
oficioso e governamental, o paternalismo eclesiástico
também, todos são forma de racismo, por melhores que
sejam as intenções, mas como diz um grande filósofo
“de boas intenções está pavimentado o caminho do
inferno”.
A
demarcação das terras indígenas nunca foi uma
prioridade governamental. Nunca se criou uma política
que garantisse e respeitasse os povos indígenas como
unidades sócio-políticos-culturais distintas. Nunca se
cogitou de uma política voltada para os interesses e
projetos, propostos pelos povos indígenas, de
auto-sustentação econômica, baseados em sua
biodiversidade com segurança para a saúde, educação,
agricultura, trabalho, desenvolvimento e direitos
humanos e reprodutivos.
Por
todas essas razões, há muitas décadas, muitas lideranças
têm sido sacrificadas por lutar por seus direitos. Os
casos mais atuais referem-se ao assassinato de Marçal
Tupã-Y, ao caso dos 14 índios Tikunas na década de
80, ao caso do assassinato dos 16 índios Yanomamis em
1993 e ao caso do índio Galdino, do Povo Pataxó
queimado em Brasília um exemplo clássico de racismo
urbano e violento, em 1997. Todos esses casos continuam
impunes, com exceção do último. Ainda existem outros
casos anônimos e casos abafados no presente e no
passado de indígenas que lutam pelos seus direitos, por
temerem represálias ou por estarem abalados moral e
psicologicamente.
O
Governo brasileiro tem protegido os interesses das
mineradoras em territórios indígenas e protegido
sempre os empresários e políticos locais.
Uma
mulher indígena Potiguara me contou um dia: “Eu
estava em casa sozinha, cozinhando, entrou um
homem-peixe em minha casa e me tomou o espírito e
foi-se embora. Nunca mais o vi, mas sempre ia à
beira-mar esperar por ele”. Os dias se passaram, os
meses, os anos... A mulher estava louca e velha. Havia
passado toda uma vida e a velha esperava seu
homem-peixe, desde que acontecera aquele incidente. A
menina-moça estava em casa sozinha, entrou um
colonizador local inescrupuloso nos anos 40, a violentou
sexualmente e fugiu... O desastre à mente daquela criança
foi tamanho que o universo cultural foi completamente
confundido, tornando-a uma criança –mulher- velha
maltrapilha e louca!!! Quantas histórias dessas
teremos? Já pesquisamos as histórias das mulheres indígenas
que migram para Manaus, Belém, Recife, Salvador, Porto
Alegre, Rio de Janeiro? Minha própria família,
violentada nos seus direitos humanos, migrou para o Rio
de Janeiro e nas ruas permaneceu até conseguir moradia
no baixo-meretrício próximo à estação ferroviária
da Central do Brasil! Era o início do inferno que iria
destruir e matar todas as mulheres dessa família. Mas
se pode florir no meio do lixo quando se pode escrever
um texto como esse!!!!!
Outro
caso a que podemos nos referir trata de um chefe da nação
macuxi (Jornal do Brasil/ 10/07/80) que nos conta sobre
a situação das mulheres:
“Quando
o branco chegou nas nossas terras, o índio pensava que
branco era do lado de Deus, índio pensava que Deus
tinha vindo visitar. De fato, branco tem tudo e índio não
tem nada: branco tem arame farpado, nós não temos:
branco tem livro, nós não temos: branco tem machado de
ferro, nós não temos: branco tem carro, nós não
temos: branco tem avião, nós não temos(...) Mas
branco veio e roubou as nossas terras; e o índio não
podia mais caçar. Falou que as terras boas eram dele,
falou que os peixes dos rios e dos lagos eram dele.
Depois trouxe doenças. E DEPOIS SE APROVEITOU DE NOSSAS
MULHERES. E o índio se revoltou. Então o branco matou
os nossos avós, matou, massacrou muito, e o índio
fugia tão rápido como a coisa mais rápida. Então o
índio entendeu que o Deus do branco era ruim”.
Texto
de Eliane Potiguara
MULHER INDIGENA: MÃE, MULHER, PROFESSORA OU MILITANTE
Amilcar
Cabral, na luta revolucionária na Guiné Bissau/África,
há umas três décadas, enfocava que “a cultura deve
ser utilizada como instrumento de libertação
nacional”. Complementando o raciocínio, podemos dizer
que a libertação do povo indígena passa radicalmente
pela cultura, pela espiritualidade e pela cosmologia das
mulheres. O papel da mulher na luta pela identidade é
natural, espontâneo e indispensável. A mulher tem a
função política de gerar o filho e educá-lo conforme
as tradições, assim como na sociedade envolvente. Se
criarmos um adolescente num ambiente de tráfico de
drogas ele poderá vir a ser um marginal procurado pela
polícia. Com relação à cultura indígena, a mulher
é uma fonte de energias, é intuição, é a mulher
selvagem não no sentido primitivo da palavra, mas
selvagem como desprovida de vícios impostos pela
sociedade, uma mulher sutil, uma mulher primeira,
um espírito em harmonia, uma mulher intuitiva em evolução
para sua sociedade e o bem-estar do planeta Terra. Essa
mulher não está condicionada psicológica e
historicamente a transmitir o espírito de competição
e dominação segundo os moldes da sociedade contemporânea.
O poder dela é outro. Seu poder é o conhecimento
passado através dos séculos, e que está reprimido
pela história. A mulher intuitivamente protege os seios
e o ventre contra seu dominador, e busca forças nos
antepassados e nos espíritos da natureza para a
sobrevivência da família. Assim é a Educação Indígena.
Todos esses aspectos foram mais preservados na mulher do
que no homem.
E
o movimento indígena brasileiro, que vem crescendo nos
últimos 20 anos, hoje se constituiu em centenas de
organizações locais ou nacionais que lutam pela
interlocução com os governos, organizações que
participam de fóruns nacionais e internacionais e
constróem a importante Declaração Universal dos
Direitos Indígenas nas Nações Unidas, além de
ter conquistado um primeiro espaço dentro do Sistema da
ONU, o Fórum Permanente para Povos Indígenas,
onde nós tivemos uma importante participação.
Em
resumo, o governo deve reconhecer, na prática,
o fator pluricultural e diferenciado dos Povos Indígenas,
incluindo os direitos relativos a gênero, direitos
sexuais e reprodutivos das mulheres indígenas.
As
terras indígenas devem ser definitivamente demarcadas
como garantia à integridade física, social, cultural,
econômica e psicológica dos povos indígenas e, em
particular, das mulheres, das velhas, viúvas e mães
solteiras.
Os
invasores devem ser definitivamente retirados para
garantir a sobrevivência e segurança das mulheres, das
crianças e das velhas(os).
Os
programas de desenvolvimento da mulher em instância
nacional devem ser estendidos às mulheres indígenas,
desde que a comunidade seja consultada e dentro do que
espera e necessita esse povo. Urge um novo Estatuto do
Índio formalizado pelos próprios povos indígenas.
Deve-se,
também, especificar detalhadamente medidas
emergenciais, ações afirmativas, que defendam em rápido
prazo os direitos das mães solteiras, viúvas, mães
anciãs contra a violência doméstica e social e que se
criem políticas públicas para tal e que os direitos
dos povos indígenas sejam garantidos realmente. Na prática.
Texto
de Eliane Potiguara
LITERATURA INDÍGENA: Instrumento de conscientização
Texto
de nossa diretora Eliane Potiguara (Subsídio para
escolas e técnicos)
Avanços na luta do movimento indígena brasileiro têm
se dado de forma concreta. Apesar de algumas
dificuldades, e apesar de alguns pontos isolados como
falta de apoio das políticas públicas ainda, a Educação
Indígena _ hoje_ no Brasil já é uma realidade. É uma
Educação diferenciada, onde a cosmologia indígena está
ali inserida no seu sentido mais amplo. Dentro deste
aspecto, há de se situar a Literatura Indígena como um
instrumento de conscientização, força e libertação.
Essa Literatura deve ser incentivada através da Educação
Indígena, no dia a dia das escolas, para que os próprios
indígenas sejam realmente os interlocutores de suas
culturas, tradições e visões de vida. No entanto,
outro aspecto de fundamental importância há de se
considerar. É a tradicionalidade do discurso oral pelos
componentes mais idosos, idosas e pajés da comunidade
que não pode, de forma alguma, ser ignorado. Na
realidade, esse discurso é a base sólida, é a
conceituação, são os princípios primordiais étnicos
que fundamentam essa tradição e que fundamentarão a
escrita, a partir de valores lingüísticos próprios de
cada povo indígena.
Diante do mundo moderno e de alguns aspectos maléficos
da neocolonização e globalização, se reforça que é
necessário o registro escrito, realizado pelos próprios
indígenas como uma medida de precaução e cuidado para
que o “contar” e historiografia indígenas, não
caiam no domínio público, ou que terceiros ou instituições
sejam beneficiados nos aspectos financeiro, histórico e
moral pelos direitos autorais.
Povos indígenas do mundo inteiro lutam, através dos fóruns
nacionais e internacionais pela conservação da
cosmologia, contra predadores naturais ou impostos, no
caso de filosofias burguesas, religiosas, filosofias de
cunho “pátreo-pseudo-moral”, filosofias coloniais
ou imperialistas. O empobrecimento social das etnias
também é um fator que causa a perda dos valores
culturais, espirituais, éticos. Ali as mulheres, as
crianças e os velhos e as velhas acabam sendo muito
mais sobrecarregados pelo peso da discriminação social
e racial, como é o caso da situação de fome e suicídio
no Mato-Grosso do Sul/Brasil. O empobrecimento e a
destruição das terras indígenas também são fatores
de alto risco. Centenas de exemplos se têm dessa situação.
A literatura indígena cumpre o papel de resgate,
preservação cultural, fortalecimento das cosmovisões
étnicas.O futuro escritor indígena deve ser já
incentivado, na aprendizagem da Educação bilíngüe e
Educação em geral, desde pequeno. O escritor indígena
é o futuro antropólogo, aquele que vê, enxerga e
registra. Povos indígenas devem caminhar com seus próprios
pés.
Núcleos de pensadores e escritores devem ser também
incentivados e capacitados dentro das Organizações indígenas,
assim como muitas vezes, falou-se em discutir a questão
de gênero, de raça e etnia nas Assembléias. Os
problemas identificados devem ser imediatamente
direcionados para estudos objetivando estratégias,
mecanismos que busquem a solução das dificuldades, dos
conflitos e das diferenças.
Quando a rosa desabrocha, as abelhas vêm
espontaneamente sugar-lhe o mel. Deixemos que a rosa de
nosso coração, de nossa alma e caráter desabroche
completamente na sociedade brasileira, a partir de um
testemunho de nossa capacidade, auto-gestão, diálogo e
ética, para que essa sociedade desconstrua,
rapidamente, o discurso e prática atuais que causam a
exclusão de povos indígenas. Os resultados e o
respeito aparecerão.
Pensadores e escritores indígenas: Contem e criem então!
Texto
de Eliane Potiguara
POVOS INDÍGENAS NA PRIMEIRA CONFERÊNCIA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL
GRUMIN/Rede
de Comunicação Indígena
POVOS
INDÍGENAS NA 1ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE PROMOÇÃO
DA IGUALDADE RACIAL
Por: Eliane Potiguara
Cerca
de 70 delegados e delegadas indígenas de todo o
Brasil, participaram da 1ª CONAPIR, em Brasília, de
30/6 a 2/7 de 2005, no Centro de Convenções, ao lado
de
mais de 1500 delegados dos segmentos
afro-descendentes, ciganos, muçulmanos, judeus entre
outros coordenados pela Ministra afro-descendente
Matilde Ribeiro.
Mais
que uma Conferência de maior importância política
no país, esse grande encontro foi um momento histórico
esperado há séculos.Por isso, espera-se que o
Governo
libere mais recursos para a Seppir (que se encontra
sob ameaça de se extinguir), pois os 17 milhões no
orçamento total da entidade não dá para fazer nada.
Povos
indígenas reuniram-se no segundo dia _
especificamente_ para revisar e aprovar cerca de 130
propostas que os beneficiem social, econômico e
politicamente.
A
Secretaria Especial para Povos Indígenas, aprovada
pela plenária, foi ali colocada com grande ênfase no
sentido de que, essa Secretaria seja vinculada
diretamente ao
Governo Federal e tenha status de Ministério. Por
outro lado o órgão indigenista de apoio ao índio_
FUNAI_ estaria subordinado a essa Secretaria. Sendo
assim a Secretaria Especial para Povos Indígenas,
coordenado por indígenas e assessorias de sua confiança,
traçariam as metas para povos indígenas no país,
para que realmente os Direitos Constitucionais sejam
revistos e aplicados num futuro próximo.As políticas
indigenistas dos governos anteriores nunca
beneficiaram esse contingente que espera reparação
histórica por tanto sofrimento e genocídio que
passou ao longo de cinco séculos.
Povos
indígenas e suas organizações enchem-se da maior
esperança no Governo Lula da Silva para a concretização
desse grande projeto e desde já se mobilizam em seus
Estados, Municípios e regiões para essa política.
Ao lado disso, buscam promover Campanhas informativas
e de conscientização para tal, como Conferências,
Seminários,
Grupos de Trabalhos e difusão de informações.
Muitas entidades indigenistas parceiras dos Povos Indígenas,
já estão favoráveis há algum tempo por essa mudança
e já vêm traçando estratégias para tal. Os
expositores na Conferência foram Vilmar Guarani/Funai
e Marcos Terena - Comitêintertribal e a debatedora
foi Graciliana Xucurú Kariri/APOINME Articulação
dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito
Santo.
O
GRUMIN/Rede de Comunicação Indígena esteve
presente, participando não só da delegação eleita
como que registrando esse momento histórico.Sobre as
propostas ali
colocadas vejam brevemente no site: h
http://grumin.blogspot.com
ELIANE
POTIGUARA(Indicada ao Prêmio Nobel da Paz, no Projeto
1000 Mulheres).
A TÃO ALMEJADA DIGNIDADE
Eliane
Potiguara, 20 de março de 2003
Há
muito tempo, os povos indígenas esperam atingir um grau
de dignidade, respeito e direitos. Povos indígenas
devem gerenciar suas lutas, reivindicações e
conquistas. Povos indígenas são etnias, diversas
etnias neste país. Uma, duas ou três organizações
indígenas e indigenistas – mesmo legítimas
batalhadoras, confiáveis – não podem representar a
totalidade dos povos indígenas do Brasil, pois
constituiria-se, assim, um processo de unilateralidade,
o que não é.
A
luta é para conquistar direitos e não para substituir
órgão paternalista, impregnado de ranços e vícios
dos governos anteriores. Não esqueçamos que
paternalismo ainda é uma forma de racismo, preconceito
social, racial, xenófobo e isso foi debatido na última
Conferência Internacional da ONU contra o Racismo, em
Durban, África do Sul. Não adianta substituir cadeiras
velhas por remendadas. Mas sim construir assentos
seguros e que agüentem o peso da história e do futuro.
Estamos
vivendo tempos diferentes, onde realmente muitas ONGs
indigenistas apoiaram a construção do movimento indígena.
Isso deve ser sempre verdadeiramente reconhecido. Mas o
movimento indígena, por melhor que sejam as intenções
das vertentes indigenistas, ainda não é um movimento
único e nacional. Ainda há centenas de organizações,
associações, grupos isolados, indivíduos, enfim
pensamentos indígenas nesse Brasil afora que não
puderam ou não querem fazer parte de uma vertente, seja
ela qual for, da Igreja, da Universidade, das ONGs, do
Governo, e até de Organizações indígenas de peso,
etc.
O
mais importante é compreender que um dia as vertentes
devem deixar livre o caminho para os povos indígenas
assumirem seu destino nas suas próprias mãos e
caminhar com seus próprios pés. Essa atitude das
vertentes deve ser de Vontade Política. E isso precisa
ficar sempre claro. Isso, na minha opinião, não está
claro.
Por
toda a minha vida eu observo com olhos de águia e com
olhos reflexivos e críticos dos ancestrais indígenas
vilipendiados neste país a sutileza subliminar da
necessidade do "poder" que as vertentes
implementam, mesmo com as mais boas intenções. Não se
deve ensinar isso aos povos indígenas, pois eles podem
aprender essa tática e perder a ética indígena e as
tradições de se ouvir em primeiro lugar os velhos(as)
e as lideranças antigas que passaram indefesas pelas
arbitrariedades históricas, sociais e políticas.
Povos
indígenas!: Construam organizações, mesmo que sejam
dentro de suas casas, e assumam as rédeas dessa frente,
pois com certeza haverá muito trabalho, empregos,
projetos, finanças, cargos, postos, teses, idéias a
serem gerenciadas pelos próprios povos indígenas. E os
próprios povos indígenas serão os beneficiados, com
os resultados dessa implementação como o
desenvolvimento, os recursos financeiros, os resultados
jurídicos que beneficiem suas vidas lhes trazendo a tão
almejada Dignidade.
Texto
de Eliane Potiguara
XENOFOBIA X NOVA ÉTICA
XENOFOBIA:
Essa palavra significa aversão e discriminação às
pessoas estrangeiras deslocadas e em sentido político,
aversão às pessoas diferenciadas, imigrantes,
pessoas ou famílias que deslocaram-se a outro
lugar por conflitos sociais, econômicos, guerras,
colonizações, conflitos inter-pessoais, conflitos
intra-familiares e situações similares, para encontrar
a paz, mas encontram discriminação por seus semelhantes.
Esse tipo de mentalidade xenófoba que se refere a "índio
de Brasília, a índio desaldeado, a índio
descendente" ou a índio de qualquer
cidade, esses segmentos que se contrapõem as
pessoas indígenas que vivem dentro das aldeias é uma
ato de discriminação, INCENTIVADO pela política
indigenista oficial ou não. Neste ponto altamente específico, falo
sobre essência, sobre filosofia, ética, não falo
sobre política. Que se escolha um Presidente indígena,
mas nunca se analise pelo enfoque xenófobo ,
pois é um enfoque arbitrário, injusto, na
medida em que ninguém sabe as razões pelas quais,
aquele ou este indígena possa ter IMIGRADO DAS TERRAS
ORIGINAIS DE SEUS ANCESTRAIS. Se o indivíduo indígena
imigrante está na luta pelos direitos humanos dos
povos indígenas e vive em cidades, ele o faz por
pura ideologia, porque seu sangue corre em suas veias(
naturalmente abertas pelo peso do racismo, pela opressão
política e social que seus avós sofreram no passado).
The First Nations do Canadá, assim como IITC(
International Indian Treaty Council) são orgs. indígenas
que surgiram oriundas de pessoas indígenas
imigrantes, também. Leonardo Perltier é um indígena
imigrante que por tanta discriminação a sua pessoa, e
por sofrer problemas sociais gravíssimos foi
acusado de cometer um crime de morte e está na
cadeia ha mais de 10 anos.Há centenas de casos de
arbitrariedades à indígenas "DESPLAZADOS"(
deslocados) por conflito, por guerras, por
conflitos internos nas próprias áreas indígenas, por
conflitos inter-pessoais e até inter-familiares.As org.
indígenas de cunho urbano não tem sobrevivido por
essas discriminações ou sofrem críticas instigadas
por algumas instituições indigenistas.É PRECISO
SAIRMOS DA OBSCURIDADE MENTAL!!!!
Estamos
vivendo tempos de profundas mudanças de MENTALIDADE. É
tempo realmente de se analisar as situações com muito
cuidado, para nunca mais PERPETUARMOS os vícios do
colonizador, neocolonizador e dos atuais donos dos índios
e índias. É tempo e unir forças, e divisões entre
lideranças indígenas só tem enfraquecido o movimento
que o torna vulnerável, alvo de olhares de aves rapina
que vêem na questão indígena uma forma de análise.
Os "diretores dos índios",
instituído no século XVIII, NUNCA VÃO ACABAR EM
DETRIMENTO da fragilidade da questão.Os indígenas que
por ventura vestem a capa dos
"Diretores dos índios" por inconsciência
ou oportunismo, devem fazer uma auto-crítica.
Os indígenas que trabalham dentro da FUNAI devem fazê-lo
com responsabilidade, ética, visando puramente os
direitos indígenas, para que não sejam alvo de críticas,
pois esses estão mais expostos.Aqueles que trabalham na
FUNAI com esse zelo, dentro do espírito de luta devem
ser respeitados, pois se o Chefe de Posto
"branco" é respeitado, porque o indígena
Chefe de Posto, por exemplo, não poderá sê-lo? O
funcionário indígena que não comunga com os direitos
dos Povos Indígenas, deve ser chamado a atenção, não
por viver em Brasília, mas por suas atitudes POLÍTICAS.
Se a FUNAI brevemente for dos índi@s,
toda Brasília acolherá novos cidadãos/ãs oriundos
das malocas.Então a questão não passa por estar ou não
em Brasília, ou numa outra cidade grande.Passa pelo caráter,
pela hombridade e pelo sua estreita relação com seus
antepassados.Os indígenas americanos chegaram a um
patamar onde a sua organização oficial ( a FUNAI de lá,
por exemplo) é constituída por indígenas, inclusive
deslocados. Foram eles que encaminharam a
primeira moção de repúdio à violação dos
Direitos Humanos dos Povos Indígenas do Brasil para a
ONU, na década passada.
A
análise para se escolher um indígena para Presidente
da FUNAI, em tempo algum deva passar pela XENOFOBIA. A
ANÁLISE DE ESCOLHA DEVE SER FEITA COM DIPLOMACIA,
DENTRO DO ESPÍRITO DA PAZ, COM CRITÉRIOS ALTAMENTE ÉTICOS,
RESPONSÁVEIS, TOMANDO EM CONSIDERAÇÃO A HISTÓRIA POLÍTICA
SIM, mas sem passar pela XENOFOBIA,
tema tão discutido na última Conferência Mundial
contra o Racismo na África do Sul, promovida pelas Nações
Unidas. Veja bem, esse meu questionamento
passa por esse ponto, exclusivamente.E É TEMPO DE PARAR
COM DISCRIMINAÇÕES CONTRA INDÍGENAS A ou B.É
tempo de aniquilar o inimigo interno que vive dentro de
nós. É tempo de soltar as amarras do preconceito
e dos interesses pessoais. A inteligência, o força
da casa espiritual de cada um, a capacidade, a ética, o
caráter, a história pessoal, o poder da diplomacia,
o sentimento ético do próprio significado do poder
e o saber analisar sem discriminações_ a
sabedoria que aprendemos de noss@s
ancestrais_ são segmentos a serem
contemplados na escolha de um Presidente da FUNAI
competente, de origem indígena. Aliás já é
tempo da Funai ter esse tipo de PRESIDENTE.Que Brasília
seja homenageada com a presença de futuros e
atuais indígenas dignos, éticos, lutadores pelos
direitos indígenas.Os que não estão de acordo com os
verdadeiros direitos indígenas devem se retirar,
sejam brancos ou indígenas.A Universidade Indígena
é um ótimo caminho para a construção da nova
ética para os/as próprios/as indígenas assumirem
seus destinos em suas próprias mãos.Isso é Ação
Afirmativa e Xenofobia é crime.Óh!
Criador, fazei com que as mentes se abram e se elevem ao
sagrado da SABEDORIA E DA NEUTRALIDADE ÉTICA para
o exercício dos direitos indígenas a favor da paz das
mulheres, d@s
velh@s,
das crianças e dos homens. Eliane Potiguara( 53
anos, mãe, mulher e avó, neta e filha de
imigrantes indígenas, só isso)
XENOFOBIA:
aversão e discriminação às pessoas estrangeiras
e deslocadas e em sentido político, aversão às
pessoas diferenciadas, imigrantes, pessoas ou famílias
que deslocaram-se a outro lugar por conflitos
sociais, econômicos, guerras, colonizações, conflitos
inter-pessoais, conflitos intra-familiares e situações
similares, para encontrar a paz, mas encontram
discriminação por seus semelhantes.
Texto
de Eliane Potiguara
DIAMANTE INTERNO: O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA
Toda
a Humanidade em sua maioria e no seu mais profundo
momento íntimo busca o despertar da consciência
humana. Nos seus momentos de silêncio e reflexão, por
mais alienada que seja, a sociedade certamente busca o
resgate de algo que se perdeu no nosso passado histórico.
Há milhões e milhões de anos, seres humanos buscam
dignidade de vida enfrentando poderes, não só ocultos,
mas poderes culturais e sócio-econômicos. Não quero
entrar na discussão do porquê de tudo isso, porque
entraria em filosofias, correntes, divergências,
processos históricos, etc. Quero apenas enfatizar que o
ser humano é um eterno buscador. Ele busca a alegria, a
felicidade, a paz, melhores condições de vida para si
e seus semelhantes.
A
maneira que a humanidade encontrou para resistir às
adversidades da vida e encontrar as respostas para
aquilo que perdeu ou esqueceu é através da
religiosidade, da espiritualidade, da concentração e
dos estudos, na busca do conhecimento contra a ignorância
imposta, subliminarmente forjada pelo Poder. Nesse
sentido, aquele que procura, depara-se com o fenômeno
do despertar da consciência.
"Séculos
e séculos se passaram e centenas de representações
religiosas ou espirituais foram criadas de acordo com a
cultura e cosmovisão de cada povo, de cada etnia,
principalmente de acordo com os padrões sócio-econômicos
da cada um. Imagens, cerimônias, mitologias, liturgias,
símbolos, tambores, chocalhos e atabaques são conseqüências
das criações, não fazem mal a ninguém. São expressões
da arte na religiosidade e na espiritualidade. O que faz
mal é a pretensão de querer ser melhor do que os
outros ou ser o dono da razão, quando existe uma grande
diversidade de pensamentos entre a humanidade",
escrevi num texto sobre "intolerância
interseccional", publicado na Agência de Imprensa
Indígena (AIPIN), (México, 2005).
Lamentavelmente,
algumas correntes religiosas associadas ao grande
capital, no passado, buscaram a hegemonia,
desconsiderando, a partir de seus próprios juízos de
valor morais, éticos e filosóficos, a fé dos povos
que subjugavam. Cada vez que povos ou etnias sentiam-se
rejeitados, subjugados, racializados, mais crescia a sua
fé e suas crenças através da liderança do pajé ou
ialorixá/ babalorixá, no caso dos povos indígenas das
Américas e da África respectivamente - povos
resistentes que praticavam a conexão do homem com o
sagrado. Cada vez mais fortaleciam suas culturas, tradições
e cosmovisão. Assim foi a história dos povos aborígines,
dos povos indígenas, dos povos nativos dos grandes
continentes até hoje. Por isso a resistência indígena
é forte no planeta Terra. Há de se ouvir a voz indígena!
O
capital dividiu povos ricos e pobres e fracionou as
mentalidades. Baseados em culturas particulares surgiram
centenas de líderes religiosos e espirituais, como, por
exemplo, Maomé, Buda, Jesus Cristo, Oxalá e Krishna,
todos pregando a mesma filosofia através dos tempos.
Todos são atrelados à Poderosa Força Cósmica, ao
Criador, ao Grande Espírito e ao Cristo Cósmico, ao
Buda Cósmico ou a Oxalá, dependendo de cada cultura ou
vertente. Tudo isto representa uma grande riqueza
espiritual! É preciso enxergar a unidade na
diversidade.
O
xamanismo é um termo que designa a filosofia de estar
em viagem entre mundos mentais, físicos, espirituais,
psicológicos. Não é uma religião. É uma forma de
estar na vida e no Planeta. Povos contestadores das
religiões impostas adaptaram-se a esse estar no mundo,
ao longo do tempo. Antigos povos já praticavam essa
filosofia. Na modernidade, seres conscientes adquiriram
o sentimento de amor pela Mãe-Terra e entenderam que
era necessária a prática da conservação do Planeta
Terra - daí todo "ser xamânico" ser holístico.
Aqueles que verdadeiramente estiverem dentro desses padrões,
são Visionários. Os que mentem ou comercializam a fé,
não permanecerão.
Povos
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