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A
Palavra da Mulher é sagrada como a terra” frase
proferida pelo Cacique Aniceto Xavante na Conferência
de Mulher Indígena e Meio-Ambiente/1991/promovida
pelo Grumin. ( foto da reunião de mulheres indígenas)
Compromisso com a
Cultura e Espiritualidade Indígenas
A
coisa mais bonita que temos dentro de nós mesmos é a
dignidade. Mesmo se ela está maltratada. Mas não há
dor ou tristeza que o vento ou o mar não apaguem. E o
mais puro ensinamento dos velhos, dos anciãos, partem
da sabedoria, da verdade e do amor. Bonito é florir
no meio dos ensinamentos impostos pelo poder. Bonito
é florir no meio do ódio, da inveja, da mentira ou
do lixo da sociedade. Bonito é sorrir ou amar quando
uma cachoeira de lágrimas nos cobre a alma! Bonito é
poder dizer sim e avançar. Bonito é construir e
abrir as portas a partir do nada. Bonito é renascer
todos os dias. Um futuro digno espera os povos indígenas
de todo o mundo. Foram muitas vidas violadas,
culturas, tradições, religiões, espiritualidade e línguas.
A verdade está chegando à tona , mesmo que nos
arranquem os dentes! O importante é prosseguir. É
comer caranguejo com farinha, peixe seco com beiju e
mandioca. É olhar o mar e o céu. E reverenciar os
mortos, os ancestrais. É sonhar os sonhos deles e vê-los.
É conviver com as "manias de cabôco",
mesmo sufocados pela confusão urbana ou as ameaças
agrestes, porque na realidade são as relações mais
sagradas de nosso povo, porque são relações com a
terra e com o criador, nosso Deus Tupã. Bonito é
vestir os trajes do Toré e honrar-se como se vestira
os trajes dos reis e senti-los como a expressão máxima
das relações entre o homem , a terra e Deus. É
sentir o sagrado e o universo. O importante é crer e
confiar mesmo que na noite anterior violaram nossa
casa ou nosso corpo. É preciso ouvir os velhos, o som
do mar, dos ventos. É preciso a unidade entre as famílias,
por isso pedimos a Tupã que nos proteja e dê um
basta ao sofrimento secular de nosso povo comedor de
mandioca. Pedimos à força superior, que nossos
pensamentos se elevem aos mais profundos planos
sagrados da espiritualidade indígena, junto aos
velhos, aos curandeiros, aos velhos pajés apagados
pelo poder, mas renascido como FORÇA, pela consciência
do povo. Pedimos que nossos espíritos se elevem ao
mais sagrado da sabedoria humana e receba a irradiação
do amor, da paz e do conhecimento à todas as nossas
cabeças indígenas e de outras etnias e povos,
transformando todo pensamento discordante ,
conflituoso em pensamento de paz, que construa a
unidade entre todos os seres do planeta Terra.
Que possamos construir a partir de agora, uma grande
frente de energias, apoiada por todos que lêem esse
compromisso, para garantir a dignidade de povos
abandonados , condenados à extinção.
Não! Não podemos admitir a derrota. Há jovens,
crianças sorrindo, há mar, há sol, há esperanças.
Há espiritualidade! Basta que soltemos as amarras do
racismo impostos ao nosso subconsciente, esse inimigo
que divide o nosso povo.
Abramos a porta. Entremos. Nossos velhos nos esperam
para a cerimônia da paz e da luz inquebrantável.
Um grande marco se está colocando aos anciãos, aos
guerreiros, nossos avós, nossas mães, defensores
eternos da terra e da natureza.
Vamos
meu povo, elevemos nossos pensamentos à Tupã e
abramos o nosso coração na "Oração pela
Libertação dos Povos Indígenas", pelos 300
milhões de indígenas que habitam o planeta terra. E
pensemos na frase sábia do cacique Xavante Aniceto:
" A palavra da mulher é sagrada como a
terra".
Eliane
Potiguara
Textos do livro “METADE CARA, METADE MÁSCARA”
Global editora

Pele de Foca
A
luz se abriu e a minha pele de foca voltou a se
umedecer.
Minha pele estava seca pelas vicissitudes da vida. Eu
mergulhei nas profundezas dos
mares e reencontrei com minha avó-foca, com minhas
sagradas ancestrais e os velhos guerreiros que também não
se envergonhavam por suas lágrimas.
Elas_ sabiamente_ me contestaram e me mostraram que eu,
inconsciente e pacificamente, aceitava os padrões éticos
impostos pela intolerância da sociedade , e voltei com
minha alma fortalecida, voltei com meus
sonhos definidos, voltei com minha intuição
extremamente clara, precisa,
determinada. Minhas costelas não estão mais
descarnadas, a carne voltou a
crescer depois que os homens derramaram suas lágrimas
pelas mulheres do mundo e eu não sou mais uma mulher
esqueleto, jogada ao fundo do mar, como se fôra um
sapato velho, pela cultura impostora. Sou uma mulher de
fibra, porque eu me
reconstruí por mim mesma, depois de dançar
desvairadamente na vida com meu iludido
sapatinho vermelho. Quase perdi os meus pés, as ervas
daninhas enrolaram neles pra que nunca mais caminhasse
pelas estradas do saber, da consciência e do mais alto
grau da espiritualidade indígena, mas pude dominá-los
e arrancar
esses malditos sapatinhos vermelhos das chamadas
“MULHERES E MÃES BOAS-DEMAIS"!!!!!! que
por serem assim, vivem sufocadas pelo peso da história
e da opressão e quando vislumbram uma
“semi-liberdade", uma ilusão, a
Pseudo-liberdade, se perdem
nos terríveis sapatinhos vermelhos da cultura
falsamente iluminada, que escamoteia o poder, o
preconceito, o racismo. Meu ego , não pode ser mais
forte que minha alma. Minha alma é ancestral, meu ego não
pode dominar minha verdadeira história. Faço agora um
acordo entre meu ego e minha alma. Minha alma é
primeira , é forte
é intuitiva; ela é ética, pra não dizer pura, minha
alma é terna, eterna
amante, indígena. Mas meu ego, condicionado pela
cultura dominante, me leva para a escuridão terrena,
celestial, marítima,onírica e filosófica. Conduz
minha auto-estima para os porões. Não mulheres do
mundo! Não aceitemos mais. Não, não, não, não, não!
Meu ego não pode ser mais forte
que minha alma, meu ânima, minha essência de mulher
selvagem, indígena, essencial à preservação digna do
planeta e dos seres humanos. Basta de violência. Nós
somos lobas. Somos músicas que ecoam no etéreo.
Nós somos focas. Nós somos Humanidade e sabemos o que
é digno pra nós. Nossa pele de foca brilha de novo. Ouçamos
definitivamente nossas velhas e velhos.
Eliane Potiguara
Textos do livro “METADE CARA, METADE MÁSCARA”
Global editora

Identidade
Indígena
Em memória ao índio Chico Sólon
O
texto é o testemunho das lágrimas de uma indígena
vendedora de bananas, sua avó a refugiada Maria de
Lourdes de Souza, filha do índio Chico Sólon,
desaparecido das terras indígenas paraibanas por volta
de 1920, quando se instalava ali, a neocolonização da
agricultura algodoeira causando a fuga de famílias indígenas,
oprimidas pela escravidão moderna.
Nosso
ancestral dizia: Temos vida longa!
Mas caio da vida e da morte
E range o armamento contra nós.
Mas enquanto eu tiver o coração acesso
Não morre a indígena em mim e
E nem tão pouco o compromisso que assumi
Perante os mortos
De caminhar com minha gente passo a passo
E firme, em direção ao sol.
Sou uma agulha que ferve no meio do palheiro
Carrego o peso da família espoliada
Desacreditada, humilhada
Sem forma , sem brilho, sem fama.
Mas não sou eu só
Não somos dez, cem ou mil
Que brilharemos no palco da História.
Seremos milhões unidos como cardume
E não precisaremos mais sair pelo mundo
Embebedados pelo sufoco do massacre
A chorar e derramar preciosas lágrimas
Por quem não nos tem respeito.
A migração nos bate à porta
As contradições nos envolvem
As carências nos encaram
Como se batessem na nossa cara a toda hora.
Mas a consciência se levanta a cada murro
E nos tornamos secos como o agreste
Mas não perdemos o amor
Porque temos o coração pulsando
Jorrando sangue pelos quatro cantos do universo.
Eu viverei 200, 500 ou 700 anos
E contarei minhas dores pra ti
Oh!!! Identidade
E entre uma contada e outra
Morderei tua cabeça
Como quem procura a fonte da tua força
Da tua juventude
O poder da tua gente
O poder do tempo que já passou
Mas que vamos recuperar.
E tomaremos de assalto moral
As casas, os templos, os palácios
E os transformaremos em aldeias do amor
Em olhares de ternura
Como são os teus, brilhantes, acalentante identidade
E transformaremos os sexos indígenas
Em órgãos produtores de lindos bebês guerreiros do
futuro
E não passaremos mais fome
Fome de alma, fome de terra, fome de mata
Fome de História
E não nos suicidaremos
A cada século, a cada era, a cada minuto
E nós, indígenas de todo o planeta
Só sentiremos a fome natural
E o sumo de nossa ancestralidade
Nos alimentará para sempre
E não existirão mais úlceras, anemias, tuberculoses
Desnutrição
Que irão nos arrebatar
Porque seremos mais fortes que todas a células cancerígenas
juntas
De toda a existência humana.
E os nossos corações?
Nós não precisaremos catá-los aos pedaços mais ao chão!
E pisaremos a cada cerimônia nossa
Mais firmes
E os nossos neurônios serão tão poderosos
Quanto nossas lendas indígenas
Que nunca mais tremeremos diante das armas
E das palavras e olhares dos que “chegaram e não
foram”.
Seremos nós, doces, puros, amantes, gente e normal!
E te direi identidade: Eu te amo!
E nos recusaremos a morrer
A sofrer a cada gesto, a cada dor física, moral e
espiritual.
Nós
somos o primeiro mundo!
Aí
queremos viver pra lutar
E encontro força em ti , amada identidade!
Encontro sangue novo pra suportar esse fardo
Nojento, arrogante, cruel...
E enquanto somos dóceis, meigos
Somos petulantes e prepotentes
Diante do poder mundial
Diante do aparato bélico
Diante das bombas nucleares
Nós,
povos indígenas
Queremos brilhar no cenário da História
Resgatar nossa memória
E ver os frutos de nosso país, sendo dividido
Radicalmente
Entre milhares de aldeados e “desplazados”
Como nós.
Eliane Potiguara
Textos do livro “METADE CARA, METADE MÁSCARA”
Global editora
FIM DA INTOLERÂNCIA INTERSECCIONAL
A
humanidade buscou sem resultados, por séculos e séculos,
os vários deuses fora de si mesma, inclusive aquele
sentado no universo e governando o mundo. A humanidade
criou diversas filosofias, dogmas, “juízos de
valor” sobre essas criações. Mas aquele que
compreendeu que Deus está dentro de si mesmo e que
todo ser humano é um deus em ação, responsável por
cada ação boa ou má que pratica, esse sim, está
mais próximo da verdadeira tolerância, do respeito
pela opinião e do respeito pela percepção sobre as
escolhas que seu próximo possa ter e, aceitá-las.
Imagens, cerimônias, mitologias, liturgias, símbolos
são conseqüências das criações, não fazem mal a
ninguém.O que faz mal é a pretensão de querer ser
melhor que os outros ou ser o dono da razão, quando
existe uma grande diversidade de pensamentos entre a
humanidade.E o melhor caminho para a reflexão sobre
isso e outros temas é a concentração, o estudo, a
experiência e a compreensão.Quando concentramos
nossa mente se ilumina.Brota o respeito.Ela se
transforma numa estrela e os que estão no escuro, na
ignorância e na teimosia tentam dilapidar essa luz.
Precisamos
encontrar na prática a unidade na diversidade a
partir da observação e concentração.
A
força do universo a que muitas pessoas falam quando
se referem e identificam Deus, nada mais é que a força
da gravidade que rege as chuvas, as cachoeiras, as marés,
as torrentes, as lavas dos vulcões, as águas dos
rios. O caminhar constante e certeiro dos planetas e
das estrelas que giram em torno deles é a grande força
magnética que rege o universo.O nascer e o morrer dos
entes vivos é o ciclo natural da vida, para que a
alma se fortaleça. Seres humanos estão conectados a
essa gravidade e magnetismo da Terra, respectivamente.
Se estamos conectados com toda essa força por questão
da Física
e se somos Deus em ação, então somos UM.
O
planeta inteiro fala em um mundo mais justo, em paz e
amor ao próximo neste final de ano, mas a justiça
começa dentro de nós, quando todos procuram-na do
lado de fora. A evolução e re-volução devem começar
dentro do indivíduo, porque Deus já deve estar
dentro de nós.
O
pensar mal e o falar mal dos outros é um dos piores
defeitos quando o indivíduo não utiliza a autocrítica.
Isso é intolerância e começa assim mesmo, de forma
simples, um e outro falando mal do próximo. É a
emissão do juízo de valor.O monstro começa a
crescer dessa forma até chegar a ponto de violência
em que estamos vivendo, nas cidades e nos campos, nos
países ocidentais e orientais.A riqueza de uns é a
pobreza de outros. A má qualidade de vida dos seres
humanos resulta das relações do poder econômico e
político implantados nos Estados.
A
má qualidade de vida destrói as próprias vidas. A
natureza destrói a vida de quem não tem qualidade de
vida, porque suas vidas não têm segurança,
saneamentos, pilares altamente fortalecidos para
impedir a força brutal na natureza, quando ela vem.
Por acaso, a força da natureza destrói os palácios,
as igrejas douradas, as mansões, os castelos
empedrados? Ou destrói as humildes casinhas e pastos
dos despossuídos? Não é Deus que destrói, é a
intolerância que não une os seres viventes para uma
melhor qualidade de vida.Quem destrói é o
fundamentalismo econômico e social que impinge o
estado de miséria e pobreza.
O
autoconhecimento passa pela observação/concentração
a si mesmo e à natureza envolvente, o
autoconhecimento passa pela autocrítica.Quando se faz
uma análise de comportamento se começa por si mesmo,
e não por teorias complexas, tratados sociais,
teorias políticas ou teses. Olhar para si mesmo é
ser um analista político altamente nato. Se conseguir
analisar-se bem, saberá desenvolver uma magnífica
consideração teórica, seja um erudito ou um
analfabeto. Será um brilhante sociólogo ou
comentarista popular.Concentrar-se em si: este é o
lema, mas veja bem, não é um egoísmo sobre si
mesmo. É um concentrar analítico, com sabedoria e
paciência de determinados velhos e velhas, que se
capacitaram através dos séculos, pela observação e
concentração, seja em qualquer cultura, sendo que
tal característica é mais presente nas culturas
ancestrais e indígenas. Por isso o velho pajé
observa e se cala, para depois agir pacificamente pelo
bem étnico.
A
intolerância de qualquer natureza é a responsável
pelas discriminações sociais, econômicas, políticas
e raciais. A intolerância intergrupal, a chamada
intolerância ou subordinação interseccional é o
racismo cultural, que também bloqueia o crescimento
da humanidade, porque ele está aflorado dentro das
famílias, dentro das casas, até entre irmãos de
sangue, ou entre o homem ou mulher, retratando as
desigualdades de gênero, incluindo a questão do
homossexualismo.A inveja intergrupal, interpessoal que
destitui um conhecimento, para ali se alocar uma ignorância
prepotente, atrasa o processo de amadurecimento das
mentes. A intolerância intersecccional é a pior
categoria, ao meu ver, pois divide as lutas e atrasa o
processo histórico de libertação e enfraquece o
grupo comunal.Enfraquece toda uma luta, que muitas
vezes estaria à beira da vitória. E o inimigo, o
poder maior, joga com as intolerâncias intergrupais:
as picuinhas, as divergências e as ganâncias.
A
“intolerância maior” sempre foi mais fácil de se
identificar.Está claro para todos. É o racismo dos
nazi-fascistas contra judeus, dos brancos contra
negros, dos brancos contra indígenas. São as intolerâncias
religiosas e das grandes potências que matam,
discriminam, violentam, causam guerras. Sobre essas
intolerâncias as pessoas dizem que isso não tem nada
a ver com elas. Por isso considero a maior injustiça,
as intolerâncias interseccionais. São aquelas que
estão conosco no nosso dia a dia, enraizada, porque a
“intolerância menor” está entranhada nos corações,
nos olhares de ciúmes, nas pequenas competições e
assim, o self selvagem, o deus que somos_ pois o temos
dentro de nós_ se enfraquece. Os indivíduos não
querem se separar dessas intolerâncias por comodismo,
por inconsciência, conivência ou insensatez. Sempre
são os outros. Sempre os outros. Nós não enxergamos
a nossa própria intolerância. A culpa está sempre
nos outros, não é assim, durante séculos e séculos?
Somos intolerantes dentro de um grupo, e nosso/as
comparsas sentem vergonha de denunciar um fato e o máximo
que fazem é apenas espernear, revidar ou aceitar a
submissão. É assim que a “intolerância maior”
enfraquece os seres humanos.O homem e a mulher
oprimidos enfraquecem seu Deus interno. Assim, seu
Deus que já está fora de seu interior, sentado num
trono no Olimpo, distante de si mesmo se enfraquece, e
o indivíduo luta para alcançá-lo, almejá-lo,
quando ele mesmo já o possuía, quando ele cultivava
a força interior. Deus está distante, e o ser humano
se sente um aniquilado, assim como na história de uma
mulher indígena que levou um tiro do marido no olho,
ficou cega desse olho e preferiu calar-se, para
esconder o erro do homem na sociedade maior, como vi
num documento recente.Isso é subordinação
intersecccional.
Essa
é a minha mensagem de final de ano. Que em 2005
possamos enxergar as nossas próprias intolerâncias,
sermos UM_ Deus e o indivíduo. Assim estaremos mais
fortalecidos para a luta maior: a luta de classes, a
luta contra a discriminação social e racial no mundo
inteiro! Conclamo nesse 2005 que todos os que lerem
esse texto, mesmo que sejam nobres, a
retomarem o mergulho dentro de si e buscar
aquele ultimozinho ranço, amarras de alguma intolerância
que pensávamos estar aniquilada!A re-volução começa
dentro de nós.
Texto
de Eliane Potiguara
30/12/2004
A MULHER INDÍGENA E O ATO DE CRIAÇÃO
DEPOIS
DA ANGÚSTIA E O DESESPERO, O ATO DE CRIAÇÃO: a cura
!
O
ato de criação é um ato de amor. Amor a si mesmo,
amor ao próximo, amor à natureza. Seja criar um
texto, uma música, uma pintura, uma criança ou
qualquer outra arte. Mas para chegar-se até aí,
muitos caminhos foram bloqueados, muitas águas
envenenadas tivemos que tomar; muitos fantasmas
tivemos que enfrentar. Permanecemos como um rio que
morre, que não corre e não ecoa ao encontrar-se com
as pedras. Nos tornamos uma fome desesperada pelo
novo, se enfraquecendo a nossa fecundidade. Enfim um
caminho árido e infértil. Tivemos enclausurados
dentro de nós mesmos. Mas não agüentamos mais e
damos um basta! É hora de criar pacientemente
o novo!Assim aconteceu com o povo indígena Guarani do
Brasil, quando no período da colonização pelos
espanhóis no século XVI e XVII, não quis mais
procriar, nem mais cantar e nem mais criar. Queriam
jogar-se do alto do penhasco a si e toda sua família,
numa demonstração de resistência contra a escravidão,
colonização e racismo.
Pacientemente
soltamos as amarras que sufocam a nossa alma, o nosso
"ânima", a nossa essência para que os pássaros
possam cantar de novo dentro de nosso espírito.
Parece tudo muito simples. Mas não é.
Reencontrar-nos com nosso ser selvagem, com nossa
intuição, com nosso ser sutil, com nossos ancestrais
indígenas com nossa força interior é um desafio diário,
principalmente quando a força externa impõe
condicionantes sociais, psicológicos, político-econômicos
maléficos,como por exemplo, a destruição de nossa
cultura, nossa espiritualidade indígenas, destruição
essa que lança as sementes da enfermidade da
alma e que lá na frente se transformam em
enfermidades da mente e do corpo. Nosso corpo pode
estar doente, porque nossa alma o está, pois o
impacto social, político, cultural à nossa
biodiversidade em todos os níveis, à nossa
propriedade intelectual é enorme. E temos
que buscar a cura do espírito, a cura do anima.
Somente nós mesmos podemos fazer isso, assim como
somente nós mesmos, podemos sentir o ato do
nascimento, quando nascemos, e ato da morte, quando
morremos. São atos só nossos. Ninguém pode
senti-los. Somos solitários neste momento. Por
isso quando morre um parente indígena, seus pertences
são todos depositados em sua tumba. Sozinho ele
precisa partir. Assim, cada um de nós temos que lutar
pela sobrevivência e auto-determinação política e
social. E o fortalecimento de cada indivíduo, forma o
feixe coletivo, para a mudança social.
CRIAÇÃO,
CULTURA DA PAZ E DA ÉTICA INDÍGENAS
Nos
tempos atuais, é hora do desafio. Extirpar o monstro
que nos mata no dia-a-dia é dura tarefa. Primeiro se
sofre calado. Há os que se acostumam com a dor, a
opressão e a repressão social e política,
desembocando no desequilíbrio ou na loucura como nos
descreve o escritor argelino Franz fanon em"Os
Condenados da Terra", quando situou a ditadura na
Argélia. Mas há os que clamam, depois de invernos. Há
os que berram ! Neste momento, abre-se uma porta. A
mudança dentro de nós só se dá, quando
identificamos o inimigo interno (às vezes o inimigo
somos nós mesmos ) e o rejeitamos, seja da maneira
que for.Em nosso caso a CRUZ E A ESPADA colonial
no passado, e imperial, hoje. Então podemos
parecer loucos, mas no ato de "vomitar" é
que está a transformação do espírito para o novo
homem, para a nova mulher ! Sofremos e não estamos
aqui para sofrer. Tupã oferece grandes dádivas de
vida para seus filhos, senão não existiriam
tantas belezas, tantos mares, planícies, céus,
montanhas, pássaros, seres humanos, ad infinitum... E
quando o homem selvagem e a mulher selvagem gritam
dentro de nós querendo voltar para a casa primitiva
é chegada a hora da mudança. Atente para significado
de selvagem e primitiva que nada tem a haver com
historiografia, mas sim com interior humano, âmago,
essência espiritual, ser sutil, a casa da alma,
ancestralidade e espiritualidade indígenas. Quando
perdemos os tesouros do Divino, do mágico indígena e
ficamos desnudos, damos um basta, é chegada a hora da
criação. Ficamos quietos, sentimos solidão, solidão
que parece que mata, que maltrata, mas necessária. E
entramos em outras esferas superiores e sagradas. Esse
selvagem sagrado que foi resgatado e que já estava
dentro de nós e não sabíamos, está também nos
"recriando" e nos enchendo de amor e nos
fortalecendo. Nasce a criatividade. E renascemos. E
florescemos para o futuro. O processo de criação
emana de algo que surge e que vai crescendo em nosso
âmago, é como um novo amor em nossos corações. Vai
crescendo e não temos rédeas para segurá-lo. É um
vulcão. É a (r) evolução do espírito. É o êxtase.
É o insight para o novo ser humano"(a)".
Por isso, o número de indígenas no Brasil está
crescendo, segundo as estatísticas, 700 mil hoje, e
ressurgem povos inteiros resguardados dentro de seu
medo, pipocando com sua consciência, após terrível
processo de exterminação e crime organizado à sua
identidade e cultura. São os quilombolas, de
afro-descendência, são os povos ressurgidos,
massacrados e calados ao longo dos séculos, são os
indígenas amazônicos, nordestinos que migraram
das suas terras indígenas por ação do
colonizador e que foram empurrados para o racismo e
violência das pequenas e grandes cidades
brasileiras.Nossos povos sobreviveram ao peso da
colonização, do racismo, da intolerância civil e
religiosa!!!!!
E
esse único ato de ressurgimento que é um ato de criação
é o suficiente para alimentar um oceano, assim como o
leite doce e materno de uma jovem mãe é o suficiente
para trazer de volta um ser nascido prematuramente. No
ato da criação se dá a purificação do espírito,
do "ânima", da alma e consequentemente a
purificação do corpo e a extirpação de velhos
tumores, velhos fantasmas... impostos pela cultura
racista e o poder. Toda a opressão política ao nosso
povo indígena, nos conscientiza para um novo momento
e para uma resposta ao exercício de nossos Direitos
Humanos e Indígenas.
O
processo anterior à criação - o sofrimento, o coração
endurecido, por sermos testemunhas de nossa própria
opressão, o " ânima" esfacelado - é
agora neutralizado e transformado em pó, diante da
grandiosidade da BUSCA pela transformação e purificação
do espírito, incentivado pela luta pelo resgate
cultural e espiritual. Tudo isso é simplesmente
política, a política da existência. CRIEMOS, então...
sob qualquer enfoque, porque a criação é
um ato divino que tende a mudar consciências, formar
opiniões, suavizar o individualismo que ronda às
mentes.E nesse processo vamos construindo a cultura da
paz e da ética de nosso povo, primeiras nações
do planeta terra, ameaçados há seculos pelo poder bélico,
pelos grupos de poder e interesses nacionais e
internacionais.q
E
a mulher indígena que passou por toda a sorte de
massacres, estupros coloniais e neo-coloniais, ao
longo da história do Brasil, condicionadas ao medo e
ao racismo, sobrevivem porque são criativas, xamãs,
visionárias, curandeiras, guerreiras e guardiãs do
planeta. Seu inconsciente coletivo ancestral
refloresce a cada ato de criação delas, porque elas
são capazes de beijar as cicatrizes do mundo, num ato
de caridade, não humilde , mas guerreira e
criativa!!!
E
a palavra da mulher indígena é sagrada
como a terra que dá o alimento ao próximo, alimento
da CURA em todos os sentidos.
Texto
de ELIANE POTIGUARA, ESCRITORA INDÍGENA BRASILEIRA
CUNHATAÍ, A MENINA SAGRADA CONTRA O SUICÍDIO
Quando
Cunhataí era criança, ouvia os espíritos da mata,
ela via a mãe das águas. Os sonhos eram o seu
direcionamento. Sua clarividência era ancestral.
Cunhataí tinha o poder da cura. Onde colocava as mãos,
o bem se fazia. Sua mãe, insatisfeita com as invasões
dos estrangeiros, tomou erva má, para que a semente
que ouvia o espírito da mata, morresse. A erva fez
muito mal à pequena Cunhataí; não a matou, tirou um
pedaço dela... A mãe desesperançada com sua aldeia,
não queria mais as coisas do espírito, negava a
terra e a raiz. Ela queria o suicídio. Mas a avó da
menina era mais guerreira. A mãe ficou cega e muda.
Tempos depois a mãe renasceu da mudez e da cegueira
por uma prova divina e se tornou pajé, sacerdotisa
das águas. E
a triste avó, cansada das dores, do peso do tempo e
do sacrifício, morreu.
Mas sua essência permaneceu. O homem branco,
naquela época ria e incutia maus valores em alguns
membros do povo... A semente ferida e mutilada nasceu
triste e com uma estrela no olho direito. Era Cunhataí.
Foi o lado direito que quase morreu. Só ficou roxo
como uma marca, um sinal e... Sobreviveu para ouvir os
espíritos, os antepassados e as velhas mulheres
enrugadas pelos séculos. Sobreviveu para compreender
o significado das três velhas, cujas seis mãos se
transformam em cobras. O velho espírito disse a
Cunhataí: Vai ave-menina e mulher! Cria asas e
enxergue, um dia, quem sabe, seremos livres! Ela foi
pra longe sofrer. Por isso quando ela retornou à sua
aldeia de origem, o cacique, a pajé e os segmentos do
povo a reconheceram, porque ela já era esperada por
decisão dos ancestrais, há muitos séculos. O seu
olho direito roxo_ o espiritual_ foi identificado
pelos líderes conectados com a ancestralidade e pelo
pitiguary, o pássaro que ANUNCIA. Os que não
reconheceram estão muito além, mas muito além de
qualquer tipo de compreensão do que seja essência,
transcendência indígena. Estavam cegos, por isso traíam
seus próprios conterrâneos e incentivavam a discórdia,
a inveja, a mentira, a intriga, a luta pelo poder e
desconheciam o verdadeiro sentimento de paz,
solidariedade, amor ao próximo, companheirismo e
cooperação, por isso muitas meninas sofriam. Foram
contaminados pelo poder dos neocolonizadores. Só
vislumbravam o materialismo, por isso não podiam
perceber os sinais dos deuses, dos ancestrais, do
Grande Espírito_ a Poderosa Força Cósmica_
existente dentro de todas as boas almas. Mas Cunhataí,
em toda a sua vida seguiu o boto e as ordenações de
seus sagrados ancestrais. Muitas mulheres indígenas
que ouviram a história de Cunhataí, desenvolveram um
útero sadio, porque entendiam que a cosmovisão indígena
estava sagradamente vinculada a Mãe-Terra. E começaram
a trabalhar e a lutar para melhorar as condições de
vida do povo. Ninguém mais se suicidou, porque o amor
e o respeito prevaleciam nas famílias, entre o homem
e a mulher. A palavra fome nunca mais se ouviu naquele
povo, quando também os homens perceberam o mal que
haviam adquirido.
Cunhataí
deixou a mensagem para que todos os homens e todas
mulheres prestassem bem a atenção nos seus sonhos e
deles fizessem seus caminhos a partir do respeito
pelos velhos e velhas e pelos ancestrais e pelas boas
relações de igualdade e respeito entre homens e
mulheres!
Texto
de ELIANE POTIGUARA
Y ELLA CONCIENTE CRIA ALAS
Estabamos
alli... Todos pintados y pintadas, como si fuesemos
para la guerra.
Quando
pasabamos por los corredores del Congresso Nacional,
en Brasília, en 1988, en ocasión de las atividades
políticas que conducian nuestra lucha dentro de la
Asamblea Constituyente, las voces hacian un eco y las
palmas de las manos batian estridentemente.
Varias
formas de bocas, dientes y sonrisas. Pero un mismo
corazon pulsaba: La esperanza de que esa Asamblea
Constituyente viniese a traer avances para la garantia
de los derechos humanos de los pueblos indígenas. Las
señoras y los señores ejecutivos, funcionarios,
parlamentares, todos nos miraban de la cabeza a los
pies admirados y curiosos como si fuesemos seres de
otro planeta, pero con cariño, ciertos de desconocer
la propia realidad de su pais. Estabamos emocionados y
emocionadas. Todos se emocionaban, los ojos brillaban
como estrellas y esta emoción se mesclaba al olor del
café de la cantina del lado, a los lindos dibujos indígenas,
y al olor de la pintura de jenipapo en la cara, al
olor del aceite de la castaña de Pará, y al olor del
rojo urucum que untaban y abrillantaban los largos
cabellos de los Kaiapós, liderados por Megaron y
Raoni. Las miradas de los guaranies y el mirar sabio
de la índia Dona Marta, llenos de esperanza que
titilaban apretados en la capital del país. El mirar
de lince de los Terenas y Tukanos mostraban la
esperanza por las decisiones. Miradas desconfiadas de
los indígenas del Nordeste questionaban el futuro,
por sus pajas bravas resecadas por la seca del monte.
Las mujeres miraban sobresaltadas, pero resueltas.
Marta estaba ahí. Hoy esta muerta la primera mujer
indígena en tener el coraje de criar una Asociación
de índios sin aldea: Kaguateka. Marta queria ser
Diputada por el Partido de los Trabajadores (PT). Algún
partido político apoya indígena en el Congreso?, en
el Senado? Algún partido político, sea de derecha o
de izquierda, apoya indígenas para la Presidencia de
la Fundación Nacional del Indio (Funai)? Un dia la
FUNAI va a ser de los indígenas, es una questión de
tiempo, como dice Marcos Terena. Antônio Apurinã, líderes
de la Coiab y Apoime esperan la "palabra del
Gobierno", confian, y en el mismo momento, un
no-indígena asume la Presidencia de la Funai, el, (el
recien-Presidente) .El no va a conseguir hacer nada,
absolutamente nada.
Cuando
Marta Guarani y todas las mujeres pioneras que allí
estaban junto a los
hombres en 1988, apesar de los esfuerzos y
esperanzas, estaban creyendo en los políticos. Ahora,
2004, poco
se avanzó en lo referente a las conquistas.
Indígenas
brasileras, asuman sus lugares. Llegó la hora!!!
Que
MARTA GUARANI descanse
en paz, así como todos los guerreros y guerreras que
ya se fueron sin ver sus derechos asegurados. Estos
derechos, en un gobierno mas sensíble, de inmediato,
veria que es hora
de una política compensadora, reparadora. ES UNA
QUESTIÓN ÉTICA, PRIORITÁRIA E HISTÓRICA.
Texto
de Eliane Potiguara
EL SECRETO DE LAS MUJERES
En
el pasado nuestras abuelas hablaban fuerte
Ellas
también luchaban
Ahí,
llegó el hombre
blanco malo
Matador
de índio
E
hizo nuestra abuela callar
Y
a nuestro padre y a nuestro abuelo bajar la cabeça.
Un
dia ellos entendieron
Que
debian unirse y quedar fuertes
Y
a partir de ahí ellos lucharon
Para
defender su tierra y cultura.
Durante
siglos
Las
abuelas y las madres escondieron en la barriga
Las
histórias, las músicas, los niños,
Las
tradiciones de casa,
El
sentimiento de la tierra donde nacieron, las histórias
de los viejos
Que
se reunieron para fumar la pipa.
Fue
el mayor secreto de las abuelas y de las madres.
Los
hombres al saber del secreto
Quedaron
mas fuertes para el amor, lucharon
Y
protejieron las mujeres.
Por
eso, hombres y mujeres juntos
Son
fuertes
Y
hacen fuertes sus hijos
Para
defender el secreto de las mujeres.
Para
que nunca mas aquel hombre blanco
Mate
la história del índio!
(Texto
publicado en la cartilla de apoyo a la alfabetización
de autoria de Eliane Potiguara/1994/apoyo Unesco/UERJ)
MANIFESTO DA MULHER INDÍGENA
Discurso
proferido por ocasião do Dia Internacional da Mulher
Câmara
Municipal do Rio de Janeiro,onde várias mulheres serão
homenageadas com um moção especial, por ocasião do
lançamento do livro do Vereador Pedro Porfírio
“Sem medo de falar do aborto e da paternidade
responsável”
Estávamos
tod@s lá em 1988, no Congresso Nacional, pintados e
pintadas como se fôssemos para a guerra. Passávamos
pelos corredores, e vozes ecoavam e palmas batiam
estridentes. Várias formas de bocas, dentes e
sorrisos dirigiam-se a nós. Estávamos felizes porque
construíamos a Constituinte de 1988. Nossos olhares
ao futuro eram esperançosos para que nossos filhos e
netos kaiapós, guaranis, Tikunas, Potiguaras,
Terenas, Krenaks, Pataxós, e de muitas outras nações
indígenas pudessem ter seus direitos humanos
assegurados naquela Constituição tão bem redigida e
uma das mais avançadas do mundo!!!
Éramos estrelas naquele momento!
Não
acreditávamos que o neoliberalismo reforçaria a
pobreza e a exclusão social, acentuando cada vez
mais as desigualdades sociais, fortalecendo a
descriminação racial, étnica e de gênero. Não
acreditávamos naquele momento que os interesses
antiindígenas, cada vez mais se fortaleceriam contra
nossos direitos e que hoje o substitutivo do Estatuto
do Índio estaria engavetado no Senado Federal.
Enquanto
isso as mulheres indígenas Yanomami ainda são objetos
sexuais dos militares em Roraima, ou mão-de-obra
escrava em Mato-Grosso ou no Nordeste brasileiro.
Chega-se
à crítica conclusão que não existem estudos ,
cifras, estatísticas que documentem as maneiras de como
as mulheres indígenas estão sendo ameaçadas, violadas
em seus direitos humanos e de que maneira elas possam
estar se extinguindo a partir da mortalidade materna, da
mortalidade por violências físicas, por conflitos
culturais, por migração de suas terras indígenas e
por conflitos políticos que ameaçam suas vidas, suas
famílias e o direito ao território indígena e sua
cosmovisão.
Suicídios,
invasões de terras, estupros, doenças e diversos
outros males sociais que atingem aos povos indígenas
passaram a ocupar espaços na grande imprensa,
registrando o estado de abandono em que se encontram
as pessoas indígenas, primeiras nações deste país!
A
violência, a intolerância
e o racismo aos direitos indígenas, se
arrastam por muitos e muitos anos e séculos. Essa é
a base da discriminação.
Que se
constitua um inquérito a partir de estudos antropológicos
baseados em histórias e testemunhos, para que se
consiga resgatar a dignidade e cidadania dos povos indígenas,
dos Povos Ressurgidos e dos Quilombolas. Nossa dor não
pode ficar nas vitrines. Os gritos sufocados
pela política neoliberal não podem fazer-nos calar.
A esmagadora maioria de famílias indígenas
violentadas que continuam em aldeias indígenas ou que
formaram parte das famílias desaldeadas ou
desestruturadas permanecem oprimidas, por pressão política,
social e econômica ou
por desconhecer os seus direitos humanos.
Esse
tipo de violência e racismo,
a migração dos povos indígenas de suas áreas
tradicionais, merece um estudo e essa situação está
invizibilizada no país, assim com a situação das
mulheres indígenas no Brasil, que sofrem abuso, assédio,
violência sexual, que se tornam objeto de tráfico
nas mãos de avarentos e degradados nacionais e
internacionais.
Os
conflitos entre povos e poder no mundo inteiro tem
causado, migrações, "desplazamientos” (povos
obrigados a deslocar-se e a fugir por algum motivo,
sejam guerras locais ou guerras internacionais,
conflitos de raça, etnia). Muitas consciências já
se levantaram contra essa situação e principalmente
contra as conseqüências destes deslocamentos de
povos de seu habitat natural, constituindo-se no
chamado racismo ambiental. Por isso o fenômeno Povos
Ressurgidos, lideranças ou famílias indígenas que
ressurgem nas cidades ou vilarejos,que se levantam
pela consciência de quem são elas na história dos
Povos Indígenas do Brasil. Muitos organismos das Nações
Unidas têm tratado deste ponto com considerável atenção,
mas ainda está aquém. E as mulheres e as crianças são
as mais atingidas neste caso. Sobre as mulheres indígenas,
a violação aos seus direitos humanos as tem
conduzido às mãos de homens corruptos que as seduzem
por um prato de comida, por programas, promessas
eventuais que confundem o universo feminino, pois tais
mulheres têm origem numa cosmovisão, valores, tradições
totalmente diferentes do mundo urbano, envolvente e
masculino. Recentemente um chefe indígena no Brasil
Central, passou
por uma situação
muito humilhante entre os parentes de seu povo.
Sua esposa partiu com um comerciante
local, estranho à sua etnia.
As mulheres indígenas em suas comunidades são
iludidas pelo encantamento e as condições da
sociedade envolvente, haja vista centenas e centenas
delas saírem
de suas casas para a insegurança das cidades próximas
ou as grandes cidades. Isso constitui
tráfego de mulheres. A maioria vai ser
empregada doméstica como mão -de obra- quase
escrava, como o depoimento da índia Deolinda Prado
dado ao Grumin há quase 20 anos atrás, o que motivou
a criação do primeiro núcleo de apoio a empregadas
indígenas em Manaus. As mulheres indígenas também vão
trabalhar como operárias mal remuneradas ou trabalhar
nas grandes plantações dos latifundiários, num
sistema de cativeiros, trocando seu trabalho por latas
de sardinha e nunca conseguindo pagar sua dívida com
o contratante. Ou vão morar com homens sem caráter
que as transformam em objeto de cama e mesa e
submetidas às agressões físicas e parirem dezenas
de filhos para viverem
miseravelmente nas casas de palafitas na Amazônia,
dentro e fora do Brasil ou sobreviverem em favelas
contaminadas, moral, social, política e fisicamente.
Muitas vezes, trabalham somente pelo prato miserável
de comida ou por um pouco de farinha de mandioca.
Atualmente, com o apelo
da comunicação de massa, muitas meninas e
adolescentes indígenas querem projetar-se nos loiríssimos
símbolos sexuais das grandes redes de televisão.
Atual modelo de beleza brasileira que deixa os homens
enlouquecidos. É o que acontece com centenas de
mulheres indígenas que se dirigem a Manaus, a Belém,
a Boa vista, a Recife, à Brasília, a
S. Paulo, ao Rio de Janeiro, e demais Estados
do Brasil, para tornarem-se,iludidamente, essas
insinuantes mulheres
da mídia e tornando-se prostitutas. O sistema
político que deveria garantir o direito territorial
dos povos indígenas, a preservação cultural e sua
dignidade, não o faz. Os povos,
há séculos, sobrevivem num clima constante de
insegurança, onde não se sabe se aquele local onde
estão enterrados seus mortos, serão o território de
seus futuros filhos!!!! Outra forma de tráfego de
mulheres indígenas é constatar a presença delas nos
prostíbulos, nas zonas de baixo meretrício onde
vendem seus corpos por migalhas, contraindo Aids,
outras doenças ou criando futuras crianças sem
futuro, famintas ou aidéticas.
Os
instrumentos jurídicos internacionais resultantes das
Cumbres, das Conferências Internacionais organizadas
pelas Nações Unidas estão aí para serem aplicados
pelos governos. Mas a cada vitória da população
oprimida do mundo, é uma nova batalha para que os
governos ponham em prática os direitos conseguir
As
demandas dos Povos indígenas como a inclusão da
denominação “Povos Indígenas” nos documentos
oficiais, a solicitação da ratificação do Convênio
169 da Organização Internacional do Trabalho(OIT), a
solicitação de espaços de participação, cotas e
inclusão da questão indígena nos Conselhos, nos
Ministérios , a demarcação
e homologação das terras indígenas Raposa
Serra do Sol e outras polêmicas terras, a reivindicação
de um Estatuto do Índio que parta da realidade atual
dos Povos Indígenas e outras demandas, são exigências
que os NÓS - POVOS INDÍGENAS-
temos feito em todos os Fóruns nacionais e
internacionais, principalmente no Grupo de Trabalho
sobre Povos Indígenas das Nações Unidas que
trabalha a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS INDÍGENAS
.
E
sobre a questão de GÊNERO, a
luta tem sido dobrada pelo preconceito,
desconhecimento, desinteresse
dos envolvidos
tornando a situação das mulheres indígenas
no Brasil cada vez mais invisibilizada e excluída.
Texto
de Eliane Potiguara
VI UM INDIOZINHO ESCORRENDO PELO BUEIRO
Vi
um indiozinho escorrendo pelo bueiro. A metade de seu
corpo superior debruçava-se sobre o meio-fio da rua e
a outra parte inferior jazia cansada, escorrente pelo
esgoto urbano. Imediatamente, lembrei-me do quadro de
Salvador Dali, retratando um relógio de pulso
desconstruído em sua forma original, mas reconstruído
de forma que o relógio obedecesse às formas roliças
do punho humano. Me vieram à cabeça diversas imagens
derretidas deste pintor surrealista, desconstruidor da
formalidade e convencionalidade sociais, políticas e
humanas. Mas o indiozinho estava lá se derretendo e
eu tive vontade de me derreter junto a ele pelo ralo
planetar, mas não pude. Seria covardia de minha
parte!
O
menino de 10 anos,_ um indiozinho urbano, desse tipo
que a intolerância e o paternalismo sociais ignoram e
invisibilizam,_ compunha o triste
quadro da miséria humana.
E se
sua mãe pestanejar pelos direitos humanos, como
alimentar-se pelo menos, o paternalismo analisará:
“quem mandou sair de sua aldeia, quem são seus
pais, seus avós, nós não lembramos dessas histórias?!!
De vítima do processo social e racial passa a
oportunista. Essa índia não pôde ficar na sua
aldeia e esperar o “Paralelo 11”, versão 2004,
ela fugiu antes!
O
último censo do IBGE
registrou um aumento da população indígena,
considerando os indígenas desaldeados e
indiodescendente. Isso é um primeiro passo. Mas,
enquanto isso o
indiozinho
continuava lá, sucumbindo às lágrimas. Seu corpo
magro e sujo amoldava-se às formas do paralelepípedo.
Sua cabeça reclinava sobre o chão imundo e seu pés
mostravam os ossos aos “abutres”. Eu nunca vira
uma cena como essa. Nessa noite eu não dormira. Nem
na Índia eu vira cena tão agressiva à minha ética.
Lá, choquei-me ao ver os Dalits (os intocáveis), que
sobreviviam raquíticos, famintos, desconsiderados em
estações de trem desativadas. Os Dalists eram mais
felizes do que aquele indiozinho, sabe lá Deus, de
que aldeia veio! E sua mãe ? Onde estaria? Onde
estariam suas lendas, sua história de origem de vida?
Onde estariam suas tradições, seus costumes e sua
espiritualidade? Sua ancestralidade naquele momento
descomprazia-se de sua sina. Os ossos daquela família,
das mulheres daquele clã, jaziam fétidos no fundo do
mar à espera da luz da foca ancestral ou jaziam à
beira-rio esperando um milagre do pitiguary ancestral.
Toda essa cena contrastava-se com a propaganda da arte
indígena que nesse momento fazia sucesso em uma
exposição citadina que corre o Brasil: “arte
milenar indígena não morre!”... Mas morrem as
pessoas indígenas pela falta de uma posição
governamental que faça exercer os direitos indígenas
nesse país. O indígena precisa sair das paredes, dos
museus, das salas de exposição!
O
Fórum Permanente para Povos Indígenas, para quem não
sabe, foi criado a duras penas pela pressão do
movimento indígena internacional. Isso há mais de
vinte anos! A Assembléia das Primeiras Nações, o
CISA ( Conselho Indígena de sudamérica) entre outras
organizações indígenas foram os precursores pela
implantação de uma política indígena
autodeterminante, isto é, onde os próprios indígenas
possam ser representados por eles mesmos. O governo
pode considerar os povos indígenas brasileiros
despreparados, divididos, infelizes, assessorados ora
por um, ora por outros, o que queira. O indígena
brasileiro deve sentar na cadeira destinada a ele
dentro do Fórum Permanente para Povos Indígenas da
ONU. Aquele espaço político foi construído por ele
e para ele, não foi uma concessão da ONU. Rigoberta
Menchu, Prêmio Nobel da Paz como um exemplo clássico,
assim como milhares de indígenas invisíveis
derramaram seu sangue e lágrimas por aquele Fórum.
Que imagem continuamos construindo para nossos irmãos
indígenas internacionais! Que imagem estamos
construindo para nós, Povos Indígenas! A indígena
Dona Marta, índia desaldeada, que queria ser deputada
do PT, morreu em vão? Não construiu esse direito, não
conseguiu, porque ninguém vota em candidatos indígenas.
Mas lançou uma semente. Aproximam-se as eleições e
esse quadro precisa mudar. Não há uma cadeira provisória
no Congresso, a Constituição, o departamento jurídico
A ou B não deixam. O Estatuto do Índio não deixa.
Por acaso a Constituição deixa morrer à mingua os
direitos indígenas ??? Claro que deixa, isso pode...e
nós por pensarmos assim somos imediatistas,
anti-profissionais, irresponsáveis, não sabemos
esperar “o momento certo”, enfim... o “tempo
histórico e político”. Quanto tempo temos que
esperar?
O
que deve ser feito é que esses homens de terno preto
e cinza, com gravatas coloridas, que trabalham no
Congresso Nacional, enfim.... desconsiderando Leis,
Estatutos, Constituição devem reconhecer, não na
lei, como li na
matéria do
Jornal do Serviço de Informação Indígena (
Servindi/ Jornal dos próprios indígenas) sobre o
representante brasileiro na última reunião do
Projeto de Declaração sobre os Direitos indígenas/Genebra/2003,
que os direitos dos indígenas brasileiros “já
estão assegurados”, no Brasil. Eu
interpretei isso, apenas na teoria! No Brasil, nunca
se diz o que já foi feito concretamente, se anuncia o
que se vai fazer, é aí que as coisas se perdem.
O
indígena brasileiro não pode ser mais idolatrado na
sua cultura e arte , nas suas fotografias, na suas
artes cinematográficas, nas suas expressões literárias
e orais ser
literalmente ignorado na sua condição física,
humana, social e política.
Enquanto
isso o
indiozinho, cor da terra, que se esvaía no chão,
moreno, faceiro, cabelos lisinhos, olhinhos de tigre_
roupas de mendigo_ continuava lá, na indignidade que
lhe foi imposta pelos que dizem que temos uma
Constituição e Leis e que não podemos desconsiderá-las.
E eu , vendo aquele serzinho humano escorrendo pelo
meio-fio, perguntei a ele: “ O que aconteceu”? Ele
com uma mão esticada tentando catar os centavinhos caídos
e outra mãozinha apertando uma nota fétida de um
real, me respondeu: “ os meninos-de-rua
roubaram o meu dinheiro e me bateram. Ele não
se considerava um menino-de-rua! Vejam só! Quem será
menino-de-rua, meu Deus? Negros, favelados, delinqüentes,
marginais, ciganos, deficientes, cegos pedintes,
negras grávidas com o filho no colo, portadores de
HIV, velhos, velhas ?
Eu
respondi a ele: “Como consegue dinheiro?” Ele, com
o rosto encharcado de lágrimas misturado à poeira,
respondeu: “Pedindo”!. Ele era só um pedinte indígena,
uma nova classe social criada pela pobreza. E meu útero
de mãe rosnou, rosnou tanto que uma dor rouca, uma
dor cavernosa me saiu pela minhas entranhas, uma dor
insuportável que esmigalhava minha alma, minha essência
indígena, meu berros internos! Indigente indígena:
indigno isso!
Ai
que dor, ser testemunha do renascimento desse novo
contingente. O SPI (Serviço de Proteção ao Índio),
antes do golpe militar em 1964, nunca se preocupou com
o êxodo indígena para as cidades. Era melhor fechar
os olhos e ver os “indiozinhos” e suas famílias
partirem de suas terras do que investigar as causas da
migração compulsória.
Aprendi
com minha avó indígena, com Salvador Dali e Paulo
Freire a reconstruir uma imagem
de nós mesmos, desconstruir imposições e a
reconstruir nosso discurso. Nós_ Povos Indígenas_
precisamos nos salvar, antes mesmo que a demarcação
das terras cheguem no seu contexto mais amplo e antes
desse almejado novo Estatuto do Índio, porque as
coisas como estão, podem deixar a população indígena
muito revoltada, pipocando casos como temos vistos nos
últimos meses. Povos Indígenas querem viver dentro
do equilíbrio e dar seu testemunho de uma convivência
pacífica e não serem vistos na mídia empunhando
bordunas ou armas. Eu clamo aos governantes e empresários:
“Reconheçam
os povos indígenas como os primeiros povos dessa
terra e
sem paternalismos, entreguem as terras que são de
seus ancestrais, numa medida de reconhecimento, de
compensação e restauração da dignidade indígena
deste país.
Texto
de Eliane Potiguara
17/06/2004 ( publicação autorizada desde que
cite a fonte e autoria) Publicada na lista Literatura
Indígena.
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CONGRESSO PARLAMENTAR INDÍGENA E MULHERES
A
Terra é a nossa mãe. Dela recebemos a vida e a
capacidade para viver. Zelar por nossa mãe é nossa
responsabilidade e zelando por ela,estamos zelando por
nós próprias. Nós, mulheres indígenas, somos
manifestações da Mãe -Terra em forma
humana.Molestar, destruir, minimizar as manifestações
da Mãe- Terra é ir contra a sua natureza, pois na
natureza tudo deve fluir, assim como os rios que
correm, os mares que enchem e esvaziam, como as
cachoeiras que caem, como as pedras que rolam, como os
filhotes que nascem e crescem, como a chuva que cai,
como as luas que se enchem e vão, como o sol que
esquenta e esfria, como a vida humana e animal que
brota e transforma-se em húmus para a terra.Ir contra
todos esses segmentos é violar o sagrado.A base filosófica
de nossas vidas, como mulheres e povos indígenas,
nessas 206 nações indígenas brasileiras, com
culturas e línguas diferenciadas é o respeito pelo
sagrado, pelo que foi criado pela natureza e a mulher
faz parte deste sagrado, por isso sua palavra é
sagrada, tanto quanto a Terra. E toda a sua cultura e
espiritualidade relacionadas ao sagrado humano, deve
ser respeitada.
Aqui
queremos lembrar as sociedades matriarcais, originais,
onde a palavra da mulher era uma força, uma decisão
política. Mas o capital, a exploração do homem pelo
homem, o egoísmo, a discriminação cultural e filosófica,
o poder, a colonização limitaram essa força da
mulher. Mas nos últimos dois séculos vemos aqui
ou acolá, pipocar um grito estrangulado de uma
mulher indígena, um grito estrangulado, mas
determinado, como é o caso de alguns desses gritos
pelo Brasil afora, resultando nas organizações de
base dessas mulheres.E essas mulheres vêm
transformado-se em educadoras, reprodutoras, agentes
transformadoras da sociedade em que vivem.
Muitas
delas como a primeira prefeita no Brasil, a índia
Potiguara, enfermeira Iracy Cassiano ( popularmente
chamada de Nancy), foi uma vitória no início da década
de 90, mas que esbarrou em obstáculos históricos ,
políticos e culturais, assim como a organização de
mulheres indígenas (Grumin) esbarrou,
porque ali se formava com seu precioso apoio.A
Associação de mulheres indígenas
de Manaus foi criada para aglutinar mulheres
imigrantes de suas terras originais e que só tinham
como opção de trabalho, labutar como empregadas domésticas
nas casas dos coronéis ou cair nos prostíbulos ou
servir ao tráfico internacional.As aldeadas
continuavam a servirem aos militares ou sofrer as violências
oriundas das invasões de terras indígenas.
As
mulheres sempre estiveram à mercê das drogas
perigosas, dos produtos químicos, dos
anticoncepcionais, das esterilização, da mineração
de urânio, das contaminações nas águas fluviais,
dos conflitos armados,
dos atos agressivos das multinacionais, dos
projetos de diversidade de Genética humana, da
pirataria de nossa herança cultural e espiritual e
dos recursos biológicos
e todas
as forças que estão por trás, as modernas instituições
financeiras controladas pelo Banco Mundial, pelo Fundo
Monetário Internacional (FMI)
e a Organização Mundial de Comércio(OMC) e
órgãos afins.
Atualmente
as mulheres indígenas de Roraima têm-se organizado,
assim como algumas delas como Joênia Wapixana
formou-se em Direitos.Outras têm buscado esse
caminho, pois acreditam que só lutando dentro dos
aspectos jurídicos poderão ver os direitos indígenas
de seus povos assegurados.
A
Assembléia Constituinte de 1991 na Colômbia, rompeu
com muitos paradigmas sobre a participação política.
E uma das vitórias foi a possibilidade de indígenas
na representação parlamentar, isso abriu espaços
também para as mulheres,
como abriu no Equador para a primeira
Congressista Indígena, Nina Pacari.Nas últimas eleições
no Brasil, 20 indígenas candidataram-se e nenhum foi
eleito, porque povo brasileiro não vota em candidato
indígena.O próximo caminho para o governo de Lula
seria o estabelecimento de um Congresso
Parlamentar Indígena( com representação de
todas as etnias e a participação das mulheres indígenas)
ao contrário de
cadeiras no Congresso e Senado que propusemos
no passado bem próximo. E no contexto eleitoral
somente uma mulher candidatou-se: Marta Kaiowá pelo
PT.
Essa
minimização da mulher indígena se dá por aspectos
culturais e hitóricos, senão vejamos:
As
mulheres foram alvo de perseguição masculina desde o
p |