GRUMIN/Rede de Comunicação Indígena 
Projeto do Grupo Mulher-Educação Indígena
Ano 2Edição nº 09 - JUNHO/JULHO 2006/BRASIL 

2- POÉTICA E PENSAMENTOS INDÍGENAS

  • Juvenal Teodoro

Canto II
1
No mastro tremula a bandeira
na proa canhões de boca
e singram deixando atrás
estranho falar, em troca.
2
África, círculo primitivo traço,
ilhas Madeira, atlânticas Canárias
Brasil, terra de Santa Cruz,
Timor, distante é teu cenário.
3
Falemos então na mesma língua
pendões de cores amarelos e rubros,
na mesma lida e escrita fala,
mesmas lidas, unidas, sem atalhos.

 

  • Marcos Terena

Quando lembramos do Meio Ambiente, sabemos que tem sido grande a destruição de habitats estratégicos como as Águas e a Terra no Pantanal, na Amazônia e no Cerrado. Como Povos Indígenas e guardiões naturais, o assédio sobre nossos líderes e comunidades acontece com rapidez, sutileza e violência sócio-econômica sobre nossos habitats sagrados. Tais situações requerem uma nova consciência ecológica. A filosofia indígena ensina que se não nos sentirmos parte da natureza, nosso compromisso se tornará apenas uma causa ou um sonho, por isso, é essencial um pacto ecológico, uma aliança forte entre negros, brancos e índios, principalmente o espírito guerreiro da juventude e a sabedoria dos anciãos!
TERRA É VIDA - Marcos Terena"

Vem aí a VIATAN

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  • Daniel Munduruku

NÃO SOMOS DONOS DA TEIA DA VIDA


Meu avô costumava dizer que tudo está interligado entre si e que nada escapa da trama da vida. Ele costumava me levar para uma abertura da floresta e deitava-se sob o céu e apontava para os pássaros em pleno vôo e nos dizia que eles escreviam uma mensagem para nós. "Nenhum pássaro voa em vão. Eles trazem sempre uma mensagem do lugar onde todos nos encontraremos", dizia ele num tom de simplicidade, a simplicidade dos sábios. Outras vezes nos colocava em contato com as estrelas e nos contava a origem delas, suas histórias. Fazia isso apontando para elas como um maestro que comanda uma orquestra.
Confesso que não entendia direito o que ele queria nos dizer, mas o acompanhava para todos os lugares só para ouvir a poesia presente em sua maneira simples de nos falar da vida.
Numa certa ocasião ele disse que cada coisa criada está em sintonia com o criador e que cada ser da natureza, inclusive o homem, precisa compreender que seu lugar na natureza não é ser o senhor, mas um parceiro, alguém que tem a missão de manter o mundo equilibrado, em perfeita harmonia para que o mundo nunca despenque de seu lugar.
"Enquanto houver um único pajé sacudindo seu maracá, haverá sempre a certeza de que o mundo estará salvo da destruição". Assim nos falava nosso velho avô como se fôssemos - eu e meus irmãos, primos e amigos - capazes de entender a força de suas palavras.Só bem mais tarde, homem adulto,  conhecedor de muitas outras culturas, pude começar a compreender a enormidade daquele conhecimento saído da boca de um velho que nunca tinha sequer visitado a cidade ao longo de seus mais de 80 anos.
Percebi, então, que meu avô era um homem com uma visão muito ampla da realidade e que nós éramos privilegiados por termos convivido com ele.
Estas lembranças sempre me vêm à mente quando penso na diversidade, na diferença étnica e social.   Penso nisso e me deparo com a compreensão de mundo dos povos tradicionais. É uma concepção onde tudo está em harmonia com tudo; tudo está em tudo e cada um é responsável por esta harmonia. É uma concepção que não exclui nada e não dá toda importância a um único elemento, pois todos são passageiros de uma mesma realidade, são, portanto iguais. No entanto, não se pode pensar que esta igualdade signifique uniformidade.
Todos estes elementos são diferentes entre si, têm uma personalidade própria, uma identidade própria.
Através de minhas leituras e viagens fui compreendendo, aos poucos, aquilo que o meu avô dizia sobre a sabedoria que existe em cada um e todos os seres do planeta. Descobri que não precisa ser xamã ou pajé para chacoalhar o maracá, basta colocar-se na atitude harmônica com o todo, como se estivéssemos seguindo o fluxo do rio, que não tem pressa...mas sabe aonde quer chegar. Foi assim que descobri os sábios orientais; os monges cristãos; as freiras de Madre Teresa; os muçulmanos; os evangélicos sérios; os pajés da Sibéria, dos Estados Unidos, os Ainu do Japão, os Pigmeus; os educadores e mestres...descobri que todas estas pessoas, em qualquer parte do mundo, praticando suas ações buscando o equilíbrio do universo, estão batendo seu maracá. Entendi, então, a lógica da teia. Entendi que cada um dos elementos vivos segura uma ponta do fio da vida e o que fere, machuca a Terra, machuca também a todos nós, os filhos da Terra. Foi aí que entendi que a diversidade dos povos, das etnias, das raças, dos pensamentos é imprescindível para colorir a Teia, do mesmo modo que é preciso o sol e a água para dar forma ao arco-íris.
 Por: Daniel Munduruku -

http://www.danielmunduruku.com.br

 

  • A Mitologia Hindu em livro

PublishNews - 28/6/2006
Os mitos da Índia nunca estiveram tão vivos! A obra Mitologia Hindu (Madras, 208 pp., R$ 31,90) de Aghorananda Saraswati, é uma síntese que oferece uma perspectiva completa, alia o simbolismo mitológico à crença na religião hindu - sendo que na Índia não há diferença entre os dois estudos, pois a fé consiste na própria meditação nos mitos e símbolos. Todos os diversos aspectos, conceitos filosóficos e práticas como Dharma, Karma, Yoga, Samsara e Moksha, com citações dos Vedas, e explicações de suas subdivisões, são mencionados. O livro dá uma visão abrangente e compreensiva de toda a cultura hindu e suas facetas, profundamente enraigadas na tradição ancestral. Ricamente ilustrado, traz as principais divindades do hinduismo, Ganesha, Brahma, Vishnu, Shiva, Saraswati, Lakshmi, Parvati, Rama e um glossário mitológico no final do livro.

 

  • História Tupy-Guarany

O Criador, cujo coração é o sol, tataravô desse sol que vemos, soprou seu cachimbo e da fumaça desse cachimbo se fez a Mãe Terra. Chamou sete anciãos e disse: gostaria que criassem ali uma humanidade. Os anciãos navegaram em uma canoa que era como uma cobra de fogo pelo céu; e a cobra-canoa levou-os até a Terra. Logo eles ali depositaram os desenhos-sementes de tudo o que viria a existir. Então eles criaram o primeiro ser humano e disseram: você é o guardião da roça. Estava criado o homem. O primeiro homem desceu do céu através do arco-íris em que os anciãos se transformaram. Seu nome era Nanderuvuçu, o nosso Pai Antepassado, o que viria a ser o sol. E logo os anciãos fizeram surgir as águas do grande rio Nanderykei-cy, a nossa Mãe Antepassada. Depois que eles geraram a humanidade, um se transformou no sol, e a outra, na Lua. São nossos tataravós. História Tupy Guarany

 

  • Morreu   Índio tukano GABRIEL GENTIL

Perdemos fisicamente o índio Gabriel dos Santos Gentil, pajé tukano e estudioso de sua etnia há mais de 30 anos. Gentil  possui um vasto acervo etnográfico do povo tukano, é autor de livros sobre rituais, mitos e tradições indígenas e atua como professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Na Fiocruz, o pajé integrará o Núcleo de Estudos Indígenas do Centro de Pesquisas Leônidas e Maria Deane (CPqLMD), com o objetivo de ampliar a ligação entre a pesquisa básica e aplicada nas áreas de sócio e biodivesidade.
Na aldeia da tribo tukano, no Alto do Rio Negro, Gabriel dos Santos Gentil possui o nome indígena Séribhi e ocupa o cargo de kumu (o curador). Ele é conhecedor das plantas medicinais de uso dos pajés, das músicas, histórias, desenhos, artes e cerimônias indígenas. Ao contrário da maioria dos filhos de índios, que estudavam no internato da Missão Salesiana de Parí-Cachoeira, à direita do rio Caiarí-Uaupés, Gentil vivia todo o tempo na aldeia.
Assim, pôde aprender com seu pai, Cândido, e com outros índios da tribo a linguagem sagrada e secreta dos cerimoniais e a fala cotidiana da língua tukano. A partir da consulta a velhos pajés, ele conseguiu documentar textos orais importantes, que teriam sido perdidos com a morte dos sábios. Ao mesmo tempo em que colhia informações, foi sendo iniciado pelos sábios como kumu e pajé.
Os índios etnia tukano se autodenominam Ye'pâ-masa ou Daséa e se concentram principalmente em aldeias no Alto Rio Negro e ao longo dos rios Tiquié e Papuri no Vale do Uaupés (AM). Estudiosos acreditam que existam mais de 30 subdivisões entre os tukano, cada qual com um nome e hierarquia diferente.
Esses índios são fabricantes tradicionais de bancos utilizados nas cerimônias e rituais, feitos de madeira e pintados na parte do assento com motivos geométricos.
Fonte: Fiocruz



 

 

 





 


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