GRUMIN/Rede de Comunicação Indígena 
Ano 2Edição nº 08  - MAIO/2006/BRASIL 

 

5- ESPIRITUALIDADE E CULTURAS INDÍGENAS

  • Nós, os índios, conhecemos o silêncio Indígena

Nós os índios,
conhecemos o silêncio.

Não temos medo dele.
Na verdade,
para nós ele é mais poderoso
do que as palavras.

Nossos ancestrais foram educados
nas maneiras do silêncio e eles
nos transmitiram esse conhecimento.
"Observa, escuta, e logo atua", nos diziam.
Esta é a maneira correta de viver.

Observa os animais para ver
como cuidam se seus filhotes.
Observa os anciões para ver
como se comportam.

Observa o homem branco para ver
o que querem.
Sempre observa primeiro,
com o coração e a mente quietos,
e então aprenderás.

 Quanto tiveres observado o suficiente,
então poderás atuar.

Com vocês, brancos e pretos, é o contrário.
Vocês aprendem falando.

Dão prêmios às crianças
que falam mais na escola.
Em suas festas, todos tratam de falar.
No trabalho estão sempre tendo reuniões
nas quais todos interrompem a todos,
e todos falam cinco, dez, cem vezes.

E chamam isso de "resolver um problema".
Quando estão numa habitação e há silêncio,
ficam nervosos.

Precisam  preencher o espaço com sons.
Então, falam compulsivamente,
mesmo antes de saber o que vão dizer.

Vocês gostam de discutir.
Nem sequer permitem que
o outro termine uma frase.

Sempre interrompem.
 Para nós isso é muito desrespeitoso
e muito estúpido, inclusive.

Se começas a falar,
eu não vou te interromper.
Te escutarei.

Talvez deixe de escutá-lo
se não gostar do que estás dizendo.
Mas não vou interromper-te.

 Quando terminares, tomarei minha decisão
sobre o que disseste,
mas não te direi se não estou de acordo,
a menos que seja importante.

 Do contrário,
simplesmente ficarei calado e me afastarei.
Terás dito o que preciso saber.
Não há mais nada a dizer.

Mas isso não é suficiente
para a maioria de vocês.

Deveríamos pensar nas suas palavras
como se fossem sementes.

Deveriam plantá-las,
e permiti-las crescer em silêncio.

Nossos ancestrais nos ensinaram que
a terra está sempre nos falando,
e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.

Existem muitas vozes além das nossas.
Muitas vozes.
 Só vamos escutá-las em silêncio.

Texto traduzido por Leela, Porto Alegre:
"Neither Wolf nor Dog. On Forgotten Roads with an Indian Elder" - Kent Nerburn

Menkaiká
"Não sofremos de falta de comunicação,
mas ao contrário,
sofremos com todas as forças
que nos obrigam a nos exprimir
quando não temos grande coisa a dizer".

 

 

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