12-Conceitos de pobreza e
inclusão digital da sociedade não-indígena
contra a discriminação social e racial e a
auto-determinação dos povos indígenas.
12-Implantação
dos tele-centros indígenas.
Bem, após algumas reuniões
de representantes indígenas com a
Ministra Marina do Meio Ambiente, que
sensibilizou o Ministro das Comunicações Hélio
Costa para disponibilizar mecanismos concretos
que atendam a implantação de redes locais,
tele-centros, centros de formação conectados
por rádios, nos vimos animados nessa
empreitada. A Rede Povos da Floresta, que acaba
de criar seu portal, está trabalhando há 5
anos, especificamente coletando parceiros,
mapas, documentos e cadastrando comunidades
locais para esse empreendimento.O Ministério
das Comunicações já doou 150 antenas
parabólicas para conexão na Internet.No
entanto, a demanda indígena busca povos
remotos, totalmente desprovidos de luz,
telefone, centro comunitário instalado, exigência
do Ministério como contra-partida.Povos indígenas
afirmam que a experiência com o governo é trágica,
pois todas as articulações com Funasa, Funai
foram catastróficas e que nas articulações
financeiras as ONGS, como têm mais
infra-estrutura e conhecimento, acabam chegando
na frente dos povos indígenas e vemos dezenas
de projetos para povos indígenas, portais,
sites, rádios coordenados inclusive por
pessoas estrangeiras e não pelo indígenas,
quando povos indígenas já possuem capacidade
de auto-gestão, através das organizações indígenas
locais e urbanas.
Elias Davi, diretor
substitutivo de inclusão digital do Ministério
das Comunicações, EMPENHOU-SE em promover
essas expectativas dos povos indígenas, isto é,
a implementação de mecanismos tecnológicos
como antenas, moden, impressoras, manutenção e
capacitação, através do Gesac.Nós, indígenas
estamos preocupados com as eleições e tememos
que tudo conseguido, vá por água abaixo,
diante do cenário político nacional.Por outro
lado, fechamos um protocolo com os índios
NAVAJOS dos USA, que estão fazendo um trabalho
muito sério em sua própria comunidade, já
tendo apoiado dezenas de projetos para povos indígenas
em Honduras, inclusive numa comunidade na Amazônia.
Os Navajos insistem no uso de tecnologias a
partir da essência das tradições e
conhecimentos indígenas, uma proposta também
dos povos indígenas do Brasil..
O mundo cresce em
tecnologias, o mundo avança nas ciências, o
mundo corre para um lado que às vezes assusta.
Muitas vezes uma mulher indígena precisa de um
atendimento médico, porque tem uma hemorragia
provocada por um aborto espontâneo ou não e
temos centenas de casos de óbitos por causas
que, num piscar de olhos, poderiam ser
solucionadas, se a prioridade fosse essa, no
campo político e até no campo partidário.Na
Tunísia, numa das exposições eu vi um projeto
sensacionalista que dizia: "Um lep
top para cada criança pobre",
uma coisa assim....O cartaz das crianças
paupérrimas transmitiam um sofrimento secular,
um estado de miséria deplorável. E cada
criança barriguda pelas vermes e raquítica
pela falta de alimentação e atendimento à sua
saúde, segurava firmemente um lep top da última
geração.Será que estamos colocando a carroça
na frente dos bois? Como povos indígenas vão
sobreviver à globalização, às tecnologias?
Como defender nossos conhecimentos tradicionais?
Como proteger nossos anciãos, verdadeiras
bibliotecas humanas? Como mantermos nossas
terrras indígenas?
Outro detalhe importante
sobre novas tecnologias. Nessas implementações
tecnológicas , as comunidades beneficiadas precisarão
ter parcerias locais para pagamento de contas de
luz, telefone, infra-estrutura, pagamento de
pessoal, caso necessite.Os governos, ongs locais
vão realmente querer apoiar povos indígenas?
Eu não quero desestimular
o processo, pelo contrário, quero desafiar
os governos, as ongs, as parcerias
internacionais a sensibilizarem-se para apoiar
realmente os povos indígenas em seus
projetos comunitários, através de suas
organizações.
Não devemos esquecer
nunca uma lição de minha avó indígena
analfabeta, mas cultíssima: "O importante
são as pessoas, os seres humanos, o que diz
aquela alma e aquele coração. O meio-ambiente
é o complemento".
Voltando a Túnísia,
informo que a Declaração final dos povos indígenas
participantes se encontra nesse boletim, do
Grumin on line nº06/2005
ELIANE POTIGUARA,
escritora indígena (www.elianepotiguara.org,br)