GRUMIN/Rede de Comunicação Indígena 
Ano 1- Edição nº 06  - 14/12/2005/BRASIL 

 

4- ESPIRITUALIDADE E CULTURAS INDÍGENAS

  • An Be Abege

Há um povo na Austrália que tem uma palavra precisa 
para dizer  o cheiro da chuva. Há um povo em Vichada
(Colômbia ) cuja língua tem uma palavra precisa para dizer a doença que produz a beleza, e o deslumbramento
exagerado.(W. Ospino, Os 6.500 nomes de Deus)
David Tuggy Turner, investigador do Instituto Linguistica do Verão (ILV) conta, numa conferencia
sobre a “Situação Actual das Línguas Indígenas do
México” na Universidade Autónoma de S. Luis Potosí,
que entrevistou, uma vez, um colega a quem perguntou
quais são as causas do desaparecimento das línguas. À
pergunta, o colega respondeu: “ uma das principais
causas é o amor ”. E explicou: “pensa no caso de um
zapoteca da Serra de Juárez  que vem a Oaxaca e se
apaixona por uma mulher mixteca. Em que língua vão
falar e que língua falarão os seus filhos? O mais provável é que adoptem o espanhol e, nesse caso, perder-se-ão, numa só geração, duas línguas indígenas.
De facto, não é um tema fácil, não há uma resposta simples para isto.”
Será apenas o amor  o maior culpado? E as outras culpas? E as  outras formas de morte das línguas, como
os violentos processos de subordinação social, a deslegitimação cultural de muitos povos, através da imposição de políticas de domínio  cultural e educativo monolingues, a internacionalização dos mercados financeiros (o processo de globalização), as correntes migratórias dentro e fora dos países, e a imposição de uma só forma de conhecimento - a ciência (ocidental) como a única forma válida de conhecimento,
desqualificando assim outras formas de conhecer o
mundo e  de o interpretar? Como se existisse um só
conhecimento detalhado e complexo sobre a Natureza,
por exemplo. O monolinguismo que põe em risco não só a sobrevivência das línguas, mas também o conhecimento tradicional indígena sobre o ambiente.
Muitos estudos estimam que existem entre 5 mil a 7 mil
línguas faladas no mundo, das quais  cerca de 4 mil  são indígenas. Muitos dos recursos naturais em perigo só são conhecidos por alguns povos cujas línguas, - principal meio de transmissão dos conhecimentos – se encontram em extinção. Neste sentido, um relatório do PNUMA (Programa das Nações Unidas  para o Meio Ambiente) adverte que mais de 2,500 línguas  indígenas que contêm informação vital sobre as espécies naturais poderão extinguisse proximamente. De facto, mais de 80% dos países que conservam a sua diversidade ambiental albergam um grande número de línguas.
Os especialistas (linguistas, antropólogos) dizem que qualquer língua é um sistema de cognição único que uma vez perdido significa o desaparecimento de uma criação humana secular.
Estes povos (como os da floresta tropical) apresentam formas particulares de entender o mundo e de apropriação da natureza, manifestando-o através da
linguagem e de outros gestos. Ao entender que a floresta é “uma selva de símbolos”, um lugar sagrado de deidades, demónios e espíritos, e que cada planta,
cada animal possui um espírito e produz sentidos, todo
o acto de apropriação (processo produtivo na língua do sistema) da natureza se transforma num acto de profanação da floresta. Por isso, para evitar afectar
minimamente estes ecossistemas e estes lugares sagrados, estas comunidades criaram todo um código, um repertório de normas, de gestão, de estratégias de
comunicação, de crenças  e histórias, através das quais logram o uso e apropriação  sustentável da natureza.
E, assim, a linguagem, a palavra, o canto...intermediários entre este mundo de maravilhas e o nosso, em toda a sua variedade, colorido e sabores, é o criador do Mundo e dos mundos. E assim, a morte de uma língua empobrece o mundo e os seus mundos, a Terra e a sua diversidade.
Num pequeno bar desta cidade portuguesa, onde namoro
paisagens, um cartaz denuncia e anuncia o amor: Paula
                     

An Be Abegue
Zé   
E a forma precisa que um amigo encontrou, numa linguagem rara, para dizer á mulher amada coisas do coração, e o anúncio e a denúncia perguntam-me, cada
vez que entro naquele bar: em que língua sonhaste hoje? Em kuna, em espanhol, em português, em russo, em portonhol, em uma mistura de todos...?
· An Be Abege na língua doce dos Kuna quer dizer "Amo-te!"
___________________________
Cebaldo De León Inawinapi (Kuna – Panamá)
Zapotecos e Mixtecos (etnias indígenas de México)
Kuna (etnia indígena de Panamá)

  • Campanha sobre Repatriamento do IMYRA,TAYRA, IPY - TAIGUARA

IMYRA recentemente publicou uma nova página do Imyra , tayra, Ipy - Taiguara no www.taiguara-imyra.com dedicada a "SUAS VOZES" . Porém, diz ela sobre a votação do Repatriamento (Assinaturas) http://www.imyra-tayra-ipy-taiguara.com/id11.html

"Venho notando que muitos, apesar de deixar comentários no formulário de apoio a campanha de repatriamento, não chegam a postá-los nesta nova página.  Portanto, gostaria de oferecer-lhes a opção de publicar seus comentários na nova página, se assim desejarem. Vocês tem três opções:  

  • Responda simplesmente “Sim”, e o comentário presente abaixo será publicado no link: http://www.imyra-tayra-ipy-taiguara.com/id32.html

  • Altere seu comentário e responda a este comunicado, colando o mesmo no inicio do e-mail (e apenas o novo comentário será publicado)

  • Não faça nada, e seu comentário não será publicado  

 

 

 

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